quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O Hinduísmo


Contrariamente às outras religiões mundiais (Cristianismo, Islamismo, etc.), o Hinduísmo não tem um fundador, nem um credo determinado ou uma organização. Representa-se a si mesmo como «a religião eterna» e é caracterizada pela sua enorme diversidade e pela capacidade excepcional que tem demonstrado, ao longo da história, para incluir expressões e pensamentos religiosos novos.
A palavra hindu significa simplesmente «indiano», e talvez a melhor definição de Hinduísmo seja a de que constitui designação das varias formas de religião que se têm desenvolvido na Índia depois de os indo-europeus terem forçado a sua entrada no Norte do território, há três ou quatro milhares de anos. Apesar da sua complexidade, ainda se consegue sentir o Hinduísmo como um todo. Por essa razão, tem sido comparado a uma floresta tropical na qual as várias espécies de animais e plantas se desenvolvem num ambiente excepcional.

O Vedismo

As raízes do Hinduísmo podem ser encontradas algures entre os anos de 200 e 1500 a.C. quando os chamados arianos (isto é «os nobres») começaram a subjugar o Vale do Indo. As crenças desses povos tinham ligações com outras religiões indo-europeias, tais como a grega, a romana e a germânica. Temos conhecimento desse facto através daquilo que se designa por hinos védicos (de veda, que significa «conhecimento»), que eram recitados pelos sacerdotes durante os sacrifícios oferecidos aos seus inúmeros deuses. Os Vedas consistem em quatro colecções, partes das quais remontam aproximadamente a 1500 a. C.
O sacrifício era importante no culto ariano, que faziam ofertas aos deuses de forma a obter os seus favores e a manter as forças do caos sob vigilância. A época conhecida como o último período védico, de 1000 a 500 a.C., constituiu um ponto de viragem no desenvolvimento religioso indiano. De particular importância foram os Upanixades, que se têm mantido, até ao presente, entre os textos hindus mais lidos universalmente. Estão organizados sob a forma de diálogos entre o mestre e discípulo, e introduzem as noções de «Brama», a força espiritual suprema sobre a qual está edificado todo o Universo. Brama é a essência de que nascem todos os seres vivos, onde vivem e para onde regressam ao morrer.

O sistema de castas

Todas as sociedades dispõem de varias formas de distinção e estratificações de classes, mas seria difícil encontrar um país no qual isso tivesse sido praticado tão sistematicamente como na Índia. Desde os tempos primitivos que têm existido quatro classes sociais ( a palavra utilizada em sânscrito é varna, que significa «cor»):

- Sacerdotes (Brâmanes)

- Guerreiros

- Agricultores, Mercadores e Comerciantes

-Servos

Gradualmente, á medida que a sociedade indiana se foi desenvolvendo, as pessoas foram divididas por castas. No princípio do século XX existiam aproximadamente três mil castas diferentes. Não está claro como surgiu o sistema de castas, e não há provas irrefutáveis de que ele seja uma evolução do sistema de quatro classes. Seria mais verdadeiro dizer-se que este sistema de classes se adequa bem às castas.
A maioria das castas estão associadas a negócios específicos. Uma aldeia indiana pode conter entre vinte a trinta destas castas, ocupando cada uma delas, muitas vezes, um pequeno agrupamento específico de casas. Cada casta possui as suas próprias regras sobre conduta e pratica religiosa, determinando com quem poderão casar, o que podem comer, com quem se poderão associar e a que espécie de trabalho se podem dedicar. O fundamento religioso deste sistema é a noção de pureza e impureza. Os contrastes entre o que é «limpo» e «sujo» permeiam todo o Hinduísmo. Para um Brâmane, tudo o que tenha a ver com coisas corporais ou materiais é impuro. Se ele se tiver tornado impuro em função do nascimento, da morte ou do sexo – ou através do contacto com um individuo sem casta ou de uma casta inferior -, existem algumas formas para que possa purificar-se. O método tradicional de purificação mais conhecido é o banho com a água de um dos muitos rios sagrados da Índia, como o Ganges.
As normas que regem a pureza constituem a base para a partilha de trabalho no seio da comunidade. Certas actividades ou tipos de trabalho são tão impuros que apenas determinadas castas os poderão executar. Essas castas têm a obrigação de ajudar outros grupos a manterem-se puros. Por outro lado, somente as castas que preenchem os requisitos de pureza podem aproximar-se dos deuses mais elevados. De forma a facilitar-lhes essa tarefa, outras pessoas terão que ser impuras. Mas todos beneficiam da pureza dos «puros», porque todos os hindus tiram proveito da observância dos ritos.
O sistema de castas deu contexto à vida dos indevidos indianos. Ser banido da casta representa o pior castigo que se possa imaginar, a que apenas se recorre em crimes particularmente graves. Os que estão situados mais abaixo no sistema de castas são os «intocáveis», ou «sem casta» (frequentemente designados por párias), pessoas, por exemplo, como lixeiros, ou que trabalhem com peles de vaca, ou criminosos.
As regras complexas que regulamentam o contacto social entre as castas costumavam ser muito rígidas. Mas a constituição indiana, instaurada em 1947, introduziu a proibição da descriminação com base na casta. No entanto, a legislação não é suficiente para por fim a divisões sociais e religiosas ancestrais, pelo que o sistema de castas ainda desempenha um papel importante, sobretudo nas aldeias.



terça-feira, 21 de setembro de 2010

Doutrina Judaica


A convicção Judaica mais profunda é: Deus «escolheu» o seu povo – não porque tivesse virtudes especiais, mas precisamente porque deus amava aquele povo. No princípio da história de Israel, Deus incumbe Abraão com a missão de partir para a Terra Prometida: Eretz Israel. Por Deus a ter escolhido terra e cidade para viver, ainda hoje é considerada sagrada no Judaísmo. Os fiéis dirigiram-se para a Terra Prometida que era considerada o centro do mundo.
Moisés é venerado pelos judeus como o maior profeta (o pai dos profetas), que confiou a Tora ao seu povo. É á sua luz que são entendidos a ordem e o ensinamento divinos, a sabedoria, a palavra e o caminho, a lei sagrada. Deus fez uma «aliança» com o seu povo eleito. A aliança mais importante para a história de Israel é a aliança de Deus com Abraão, cujos descendentes devem ser tão numerosos como as estrelas.
No centro do Judaísmo, a par das intenções da aliança, encontra-se a aspiração à «santidade». Uma vez que Deus é «sagrado», o seu povo também tem de ser «sagrado». Este conceito estende-se também a todo o âmbito «puro» do culto e da moral. A impureza está-lhe em oposição. o Judaísmo da vida individual e colectiva é marcado pelos mandamentos divinos(mizwot), que dizem respeito a todos os âmbitos da vida: evolução do homem, alimentação, bebida, habitação, vestuário, aproveitamento do tempo durante o trabalho, descanso (sabat), grandes festas e solenidades ao longo da vida.

Conceito do deus Judaico


A crença de Israel na existência de um deus não é originalmente monoteísta, mas henoteísta. No centro da veneração exclusiva encontra-se Javé. Israel venera apenas este Deus único. Não significando com isto que outros povos não venerem outros deuses. No entanto, esses deuses não têm qualquer significado para Israel. Os profetas cautelosos, exigentes, eminentes e conselheiros reivindicam-se embaixadores de Javé. Proclamam Javé como o único Deus, que está acima dos outros deuses.

A proibição das imagens


No segundo mandamento do Decálogo (Dez Mandamentos) é exigido : «não farás para ti imagem esculpida nem representação alguma do que está em cima, nos céus, do que está em baixo, na terra, e do que está debaixo da terra, nas águas. Não te prostrarás diante dessas coisas e não as servirás» (segundo Livro de Moisés 20, 4-5)

O nome de Deus

No monte Sinai, o Deus de Israel apresenta-se com a seguinte frase: «Eu sou Javé». Este nome divino tem origem na forma primitiva hebraica composta por quatro consoantes: IHVH. Na forma vocalizada escreve-se «Jahvé» e não – como se escrevia erroneamente na Idade Média - «Jeová». IHVH significa: «Ele é» ou seja «Ele revela-se». De acordo com o segundo Livro de Moisés (3, 14) Javé revela-se a Moisés com as seguintes palavras: «Eu sou Aquele que sou».

Judaísmo

Os judeus vivem de acordo com os mandamentos da Tora, pois amam o Deus que escolheu o seu povo. A crença na obediência ao Deus da Tora leva à «consagração do quotidiano». Tudo é submetido á Tora, nenhum âmbito da vida é excluído. Todos os regulamentos, rituais e a sua simbologia formam uma unidade com os diferentes actos dos Judeus religiosos.

O Messias e a Era Messiânica

Das outras ideologias do Judaísmo faz parte a crença no Messias, ou seja, na Era Messiânica. O conceito hebraico «Messias» significa «Ungido». Antigamente, quando os Judeus nomeavam um rei ou um sacerdote deitava-se um pouco de óleo sobre a cabeça para ungir, isto é, marcar a pessoa. A designação «ungido» significa que o Messias irá ser um verdadeiro dirigente politico ou religioso. O Messias eleito por Deus é uma pessoa incumbida de missão especial para com o povo Israelita de Deus. O Messias podia ser o rei, o sumo-sacerdote, finalmente, também um profeta iluminado pelo espírito de Deus.
Desde o exílio da Babilónia (de 586 a 538-39 a. C.) que a espera da vinda do Messias faz parte da ideologia da fé Judaica. O Messias é considerado o rei ideal que, através da sua presença, ajuda o povo a recuperar a grandeza e prestígio. No futuro Reino de Deus na Terra imperarão a paz e a justiça. O Messias deve provir de uma tribo de Judá, restabelecer o reino Judaico, a Casa de David, recuperar o Templo destruído e fazer de Jerusalém a capital.
Nos circuitos não ortodoxos, o discurso é acerca de uma «desmitologização e de uma despersonalização do messianismo». «nesta concepção, o Messias torna-se símbolo de esperança (…) uma vez que a ênfase recai na origem do Reino de Deus e não no Messias, uma nova evolução do Judaísmo poderia renunciar ao Messias corporizado» (Schalom Ben-Chorin).


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Os cinco artigos da profissão de fé Islâmica


O Islamismo tem suas origens na Arábia, e está ainda ligado á cultura árabe. Uma das razões porque isso acontece prende-se com o facto de o livro sagrado dos muçulmanos, o Alcorão, estar escrito em árabe. A palavra árabe islam (Islamismo) significa «submissão» ou «devoção», e a partir do seu nome pode apurar-se algo de essencial a cerca desta religião. O homem deve devotar-se totalmente a Deus, e submeter-se á Sua vontade em todas as áreas da vida.

O Islamismo é apresentado em duas partes:

- Cinco artigos da profissão de fé

- Conjunto de deveres que todo o muçulmano deve cumprir

Os cinco artigos da profissão de fé são:

- Crença num Deus único

-Crença no anjo de Deus

- Crença nos livros de Deus


-Crença nos enviados de Deus


- Crença no juízo final

A corrente maioritária Islâmica dos Sunitas acrescenta a estas uma sexta crença – a crença na predestinação.

Crença num Deus único - no Islamismo, o cerne do encontro com a divindade reside na crença num Deus único. Na shahada (profissão de fé), os muçulmanos testemunham diariamente e em público que «não existe nenhuma divindade a não ser Deus [Alá]» e «Muhammad é o ultimo mensageiro e profeta de Deus».

Crença no anjo de Deus – Os anjos celestes louvam Deus e exultam a sua gloria; em nome de Deus, também guardam e protegem os homens, registam os seus actos, recebem as almas dos mortos. O Alcorão nomeia alguns anjos, como é o caso de jibril (Gabriel), que transmitiu o Alcorão a Muhammad. O Alcorão distingue dois grupos de anjos: «as sentinelas do inferno» e os «Aproximados». O ser humano está acima dos anjos, pois ao contrário dos seres celestiais, isentos de pecados, sabe optar entre o bem e o mal.

Crença nos livros de Deus– a fé nos livros sagrados abrange, essencialmente, o Saltério, a Tora, o Evangelho, resumido num livro, e, em primeiro lugar, o Alcorão: «creio no livro que Deus me revelou. Recebi ordem de julgar justamente entre vós» (XLII, 14).

Crença nos enviados de Deus – algumas suras (versículos) do Alcorão fazem menção a enviados pré-islâmicos, tais como Abraão, Moisés ou Jesus, que levaram escritos a vários povos para que estes fossem «bem guiados». Como os homens se mostravam indiferentes á mensagem divina, novos mensageiros iam sendo incumbidos de os alertar e guiar pelo caminho recto.

Ibraim (Abraão) é de excepcional importância no Islamismo - «fala de Abraão no livro, pois ele era justo e profeta» (XIX, 42). O Alcorão considera-o o primeiro muçulmano, «seguidor da verdadeira fé» sendo venerado como «modelo para o homem», «confidente» e «amigo de Deus».

Musa (Moisés), é mencionado como mensageiro incumbido por Deus de transmitir uma mensagem monoteísta, Moisés passa por grandes atribulações, acabando, no entanto, por ser salvo dos inimigos que o queriam aniquilar. É, alem disso, considerado o grande chefe dos Israelitas, enquanto receptor e anunciador da lei divina. O Alcorão descreve inúmeras vezes o seu encontro com o faraó.

Isa (Jesus) como mensageiro desempenha um papel muito importante no Islamismo. As referencias a Jesus integram-se nas narrativas dos profetas (XIX, 1-40). É considerado abd ( «servo»), nabi(«profeta»), rasul(«mensageiro, enviado»), masih(«messias»), Kalima(«palavra de Deus»), ruh(«espírito de Deus») e o portador do indschil(«evangelho»).
É visto como «filho de Maria», mas não como «filho de Deus», porquanto isso colidiria com o monoteísmo, Jesus é invocado como testemunha contra os Cristãos, que em vez de realçarem o carácter monoteísta da sua mensagem, já anteriormente anunciado por outros profetas, o divinizaram, transformando-o na sua doutrina da Trindade. São-lhe atribuídas qualidades excepcionais, que o Alcorão não confere, na totalidade, a nenhum outro ser humano, nem mesmo a Muhammad: como Adão, Isa não tem progenitor humano - «…é, na verdade, semelhante a Adão. Deus criou-O do pó e disse-lhe: “Sê” e ele foi» (III, 52). Por ser pura, a sua mãe, Maria, é escolhida por Deus «de entre todas as mulheres» (III, 37). Jesus faz ayat( plural Da palavra árabe aya, que, alem de «versículo», significa «sinal» e «milagre») – cura doentes, ressuscita mortos….Ele próprio é considerado um «sinal de Deus», através do qual este comunica aos homens a Sua vontade de os acolher com misericórdia. Esta característica distingue-o de todos os outros profetas, inclusive de Muhammad.

Crença no juízo final – logo após o falecimento, o anjo da morte, Izrail, transporta a alma do finado para o céu, onde é submetido a um julgamento provisório. Só a alma de um crente pode aspirar a entrar no Paraíso, que permanece fechado a todos os outros. Contudo, a alma regressa ao corpo, trate-se ou não de um crente. Ao funeral, segue-se o julgamento intermédio na sepultura. Ao pescoço do falecido dependura-se um rolo de pergaminho onde estão registadas as boas e as más acções praticadas em vida. Dois anjos confrontam o morto com as seguintes perguntas: «Quem é o teu Deus?» (resposta: Alá) «Quem é o seu profeta?» (resposta: Muhammad) «Qual a direcção da tua oração?» (resposta: Meca), se o falecido responder correctamente a todas as perguntas, os anjos autorizam-lhe a entrada no Paraíso; se, pelo contrário, ignorar as respostas, os anjos castigá-lo-ão, já na sepultura, confirmando a sentença anteriormente proferida. As almas ou vão para o Paraíso ou são lançadas às chamas do inferno. Existe um estado de purificação para as almas crentes que pecaram em vida. Após o julgamento provisório e o estado de purificação segue-se a fase de espera do Juízo Final.
No dia do Juízo Final, o anjo Israfil toca então a trombeta, e todos os seres vivos, incluindo os anjos, morrem. Depois, Deus começará por despertar os anjos, em seguida Muhammad e, por fim, todos os seres humanos para o Juízo Final, no qual, os condenados seguirão para o inferno, enquanto os justos e os crentes entrarão no Paraíso.

Falar de religiões do mundo


Vivendo nós hoje num mundo cada vez mais anti-religioso, onde muitas vezes nem a nossa própria religião conhecemos bem – história, culto, etc. – decidi nos próximos dias partilhar convosco o pouco conhecimento que detenho de outras religiões. Em cada mensagem falarei de uma religião e muito em especial daquilo que mais nos aproxima e afasta.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A queima de Livros Sagrados



Embora o Pastor Terry Jones tenha desistido da ideia de queimar o Alcorão, livro sagrado do Islão, houve quem lhe seguisse o exemplo e executasse tal infâmia, tal crime religioso! Com os seguintes argumentos:

“o pastor Bob Old (à esquerda na foto) de Springfield, no Tennessee, explicou a sua atitude dizendo acreditar que os muçulmanos veneram "um deus falso".”

“"Têm um texto falso, um falso profeta e umas escrituras falsas", afirmou perante uma TV local, acompanhado por outro pastor, Danny Allen”

“Também uma igreja no Kansas e um grupo do Wyoming, denominado "equipa de resposta à tirania", levaram a cabo actos semelhantes.”

Argumentos esses que são falaciosos, senão vejamos:

"um deus falso"?


Como se o Deus do Islão é o mesmo dos Cristão e dos Judeus?
As três religiões são originárias da mesma região do globo, as três religiões reconhecem Abraão, Moisés assim como a maioria dos Profetas como mensageiros de Deus! Alias, os Islão reconhece Jesus como Profeta!!

"Têm um texto falso, um falso profeta e umas escrituras falsas"?

Que autoridade Têm estes senhores para se arrogarem de ser detentores da “verdade”? Terão eles assim tão certos de professarem a verdadeira fé?
Alias, como nos diz o comunicado do Conselho Pontifício do Vaticano para o Diálogo Inter-religioso, “O plano de queimar exemplares do Alcorão no dia 11 de setembro seria uma "grave ofensa contra um livro considerado sagrado por uma comunidade religiosa"”

"equipa de resposta à tirania"? Já Cristo nos dizia:

“«Ouvistes o que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, digo-vos: Não oponhais resistência ao mau. Mas, se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra. Se alguém quiser litigar contigo para te tirar a túnica, dá-lhe também a capa. E se alguém te obrigar a acompanhá-lo durante uma milha, caminha com ele duas. Dá a quem te pede e não voltes as costas a quem te pedir emprestado.»Amor aos inimigos - «Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem. Fazendo assim, tornar-vos-eis filhos do vosso Pai que está no Céu, pois Ele faz com que o Sol se levante sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores. Porque, se amais os que vos amam, que recompensa haveis de ter? Não fazem já isso os cobradores de impostos? E, se saudais somente os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não o fazem também os pagãos? Portanto, sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste.»” (Mt 5 38-47)

Ler mais:

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1661237&seccao=EUA e Am%E9ricas

http://d24am.com/noticias/mundo/igreja-catolica-uniao-europeia-e-arabes-criticam-pastor-dos-eua/6775



quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Respeito religioso mútuo, respeito pela diferença



Nestes últimos anos tem crescido em todo o ocidente um racismo religioso generalizado!

Mas nunca se tinha visto uma intenção tão racista como a do Pastor Terry Jones, líder de uma pequena igreja cristã evangélica do estado da Florida, que, no próximo sábado pretende queimar 200 exemplares do livro sagrado dos muçulmanos!
Terry Jones em declarações á comunicação social proferiu as seguintes declarações:

“"O Islão e a Charia [lei islâmica] são responsáveis pelo 11 de Setembro", disse o pastor da Flórida. "É o momento dos cristãos, das igrejas e dos responsáveis políticos de dizerem 'Não', o islão e a Charia não são benvindos nos Estados Unidos." Terry Jones acusa ainda o Islão de ser "uma religião diabólica". O pastor tenciona queimar o Alcorão à porta da sua igreja, em Gainsville , a 500 quilómetros de Miami.”

As reacções não se fizeram esperar:

“O general Petraeus criticou ontem a iniciativa, dizendo que ela poderá colocar em perigo a vida de soldados americanos. "Estou muito inquieto com as repercussões possíveis da hipótese de queimarem um Alcorão", explicou o general, em comunicado. "É precisamente o género de acções que os talibãs usam e que poderá colocar problemas significativos."”
“O simples rumor da intenção de uma queima já provocou agitação em Cabul. Ontem, centenas de pessoas protestaram na capital afegã e chegaram a apedrejar veículos militares. Os manifestantes gritavam "morte à América" e alguns deles, citados pelas agências, diziam que a decisão de queimar o Alcorão partira dos EUA e "do Presidente americano".”

“A ideia de queimar o livro sagrado dos muçulmanos foi criticada por grupos islâmicos americanos e já motivou uma posição do porta-voz do ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros, segundo o qual o auto-da-fé provocaria "sentimentos incontroláveis" em todo o Islão. "Aconselhamos os países ocidentais a impedirem a exploração da sua liberdade de expressão para insultar os livros santos", disse o mesmo porta-voz.”
“Indonésia, grupos radicais muçulmanos ameaçam lançar uma "guerra santa" se a iniciativa for concretizada. A minoria cristã local teme um surto de violência e um grupo de igrejas cristãs protestantes na Indonésia lançou um apelo a Barack Obama para que impeça a acção do pastor Terry Jones.”

“A secretária de Estado norte- -americana, Hillary Clinton, afirmou que queimar o Alcorão é um "desrespeito e um acto vergonhoso". Por sua vez, a chanceler alemã, Angela Merkel, condenou a iniciativa, classificando-a de "odiosa".”
Ler mais:

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1657359&seccao=EUA e Am%E9ricas

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1658168&seccao=EUA e Am%E9ricas

São reacções de repúdio, de condenação, mas, acima de tudo de ódio e de medo!
A ocidente o medo de sofrer novos atentados!
No mundo Islâmico o ódio ao ocidente, muito em especial aos E.U.A.!
No entanto poucos são aqueles que se preocupam, ou se referem ao que de mais importante está por de traz de tudo isto, o respeito religioso mútuo, o respeito pela diferença! Só o Vaticano e a Liga Árabe:

“O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Musa, qualificou nesta quarta-feira de "fanático" o pastor evangélico americano que pretende queimar um exemplar do Alcorão no sábado. "Há uma crescente maioria nos Estados Unidos contra este fanático", disse Musa, em uma referência Terry Jones, pastor da igreja Dove World Outreach Center, criada em 1986 e localizada em Gainesville (Flórida).”
“"Nós queremos ver a reacção das pessoas educadas nos Estados Unidos contra o enfoque destruidor deste fanático", completou Musa.”

“O plano de queimar exemplares do Alcorão no dia 11 de Setembro seria uma "grave ofensa contra um livro considerado sagrado por uma comunidade religiosa", advertiu nesta quarta-feira o Vaticano.”
“O Conselho Pontifício do Vaticano para o Diálogo Inter-religioso, o equivalente a um ministério, expressou "intensa preocupação com o projecto de um 'Koran Burning Day' (Dia de Queimar o Alcorão) no dia 11 de Setembro", aniversário dos atentados de 2001 nos Estados Unidos.”
“"Cada religião, com seus livros sagrados, seus locais de culto e símbolos, merece respeito e protecção", afirma um comunicado do conselho.”

Ler mais:

http://d24am.com/noticias/mundo/igreja-catolica-uniao-europeia-e-arabes-criticam-pastor-dos-eua/6775

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Guantánamo. Justiça, que justiça?



Mais uma prova de força de um pais que se diz “policia do mundo”, guardião dos “direitos humanos”, etc.. (os Estados Unidos da América claro!!)


Mais uma prova da hipocrisia desta humanidade Ocidental onde até a justiça depende dos interesses políticos e económicos:

“Omar tinha apenas 15 anos quando, a 27 de Julho de 2002, foi capturado pelas Forças Especiais americanas, após confrontos com presumíveis elementos da Al-Qaeda no leste do Afeganistão. Segundo várias testemunhas, Omar - ferido nas costas, onde foi atingido duas vezes, e no olho esquerdo de que acabou por cegar - , terá sido interrogado a primeira vez em Bagram quando se encontrava sob o efeito de anestésicos, após ter sido submetido a várias cirurgias, ou quando tinha estado algemado durante muito tempo com as mãos à altura dos olhos, a cabeça tapada e soluçando.”

“Para os seus advogados, estamos perante "o primeiro processo de uma criança-soldado da história moderna", tendo em conta que Omar tinha 15 anos quando foi detido e permanece, desde então, na prisão de Guantánamo. Responsáveis em Washington preferiam que o caso não fosse a tribunal tendo em conta as vozes críticas, como a de Anthony Lake, ex-conselheiro do Presidente Barack Obama e chefe da Unicef. Para Lake, este caso pode criar um perigoso precedente internacional e levar a que mais jovens sejam vitimizados pela guerra. E há quem alerte para o facto da era Obama poder ficar na história pelo "julgamento da criança-soldado".”

O processo de Khadr, segundo as ONG, está marcado pela ilegalidade e o seu julgamento é o primeiro da Administração Obama, o Presidente que prometeu encerrar Guantánamo. Khadr tinha só 15 anos quando foi detido, numa clara violação aos direitos humanos. Daí o seu julgamento ser considerado o primeiro "de uma criança- -soldado" da era moderna.

“organizações internacionais de defesa dos direitos humanos e da criança revelaram, em 2009, que o Canadá gastou mais de 1,3 milhões de dólares para garantir que Omar permaneceria em Guantánamo.”

Ler mais:

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1638422&seccao=EUA e Am%E9ricas

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1639046&seccao=EUA e Am%E9ricas

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1638419&seccao=EUA e Am%E9ricas

domingo, 1 de agosto de 2010

Onde está o demónio?



Ao ler este artigo de opinião do Padre Anselmo Borges publicado ontem do jornal Diário de Noticias (http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1631057&seccao=AnselmoBorges&tag=Opini%E3o-EmFoco) fiquei com a sensação de que o meu conceito do demónio está muito próximo do conceito de grandes pensadores da Igreja, senão vejamos:

Eu, com base na minha humilde formação Cristã, considero que o demónio é o nosso lado animal (egoísmo, prazer fácil, apego aos bens materiais, etc), e não nada exterior ao ser humano, nada vindo do alto.

O Padre Anselmo Borges escreve o seguinte:

“Já na década de 60 do século passado, um dos maiores exegetas católicos, professor da Universidade de Tubinga, Herbert Haag, escreveu uma obra justamente célebre Abscied vom Teufel (Adeus ao diabo), mostrando que não há qualquer fundamento para a crença no demónio.
O que se passa é que há o mal no mundo e o seu horror: sofrimento, traições, torturas, genocídios, doenças esmagadoras. Donde vem o mal, se Deus é infinitamente bom? O diabo poderia, numa primeira aproximação, ser um explicação. Ele tentou e tenta o ser humano, este cai na tentação e provoca o mal. Mas já Immanuel Kant pôs na boca de um catequizando iroquês a pergunta: Por que é que Deus não acabou com o diabo? E há uma outra pergunta: Quem tentou os anjos, para que eles, de bons, se transformassem em demónios?
Colocar o diabo ao lado de Deus, no quadro de um dualismo maniqueu, é uma contradição. O diabo não explica nada. O mal é inevitável por causa da finitude.
É verdade que nos Evangelhos Jesus aparece a expulsar os demónios. Certamente participou da crença do seu tempo, que atribuía as doenças ao demónio. Hoje sabemos que se tratava de pessoas com ataques epilépticos ou sofrendo de histeria, de doenças do foro psiquiátrico. E não se pode esquecer a linguagem simbólica. Caso paradigmático é o daquele passo no qual Jesus expulsa os espíritos malignos - "o meu nome é Legião" - de um homem apanhado pela desgraça, enviando-os para uma vara de porcos (uns dois mil), que se precipitou no abismo do mar. Tudo se torna claro, quando se sabe que o porco era um animal impuro e o mar, o lugar dos monstros e símbolo do mal.
É essencial perceber que Jesus anunciou Deus e o seu Reino e não Satanás. O diabo não faz parte do Credo cristão. O diabo apenas pode aparecer como símbolo personificado de todo o mal que ainda aflige a humanidade, mas que Deus combate e a que há-de pôr termo, segundo a Boa Nova de Jesus.
O diabo não pode ser apresentado como concorrente de Deus, uma espécie de Anti-Deus, nem faz sentido pensar que ele se mete nas pessoas, para tomar conta delas. Não há possessos demoníacos, mas apenas doenças e doentes de muitas espécies, que é preciso ajudar. E, se Jesus anunciou Deus e não Satanás, o que faz falta é combater tudo o que na vida pessoal e pública é diabólico e impede o Reino de Deus: a injustiça, a corrupção, o orgulho, a ignorância, a falta de solidariedade.”