segunda-feira, 14 de março de 2011

“Geração á rasca”? São todas!


Geração á rasca”, foi o titulo atribuído á manifestação ocorrida no sábado passado. As reacções não se fizeram esperar, para uns foi um sucesso, para outros uma vergonha! Para mim nem uma coisa nem outra!
Se por um lado tenho que dar razão a quem se manifestou, pois todos nós estamos á rasca! Por outro lado tenho que dizer que olhando ao facto de não ter ouvido ou lido qualquer proposta ou alternativa criteriosa, tenho também de concordar com quem não se manifestou!

João César das Neves no seu artigo de opinião publicado hoje no jornal Diário de Noticias revela a sua opinião, da qual eu partilho e aqui exponho grande parte.


Estes excertos levam-nos a questionar os verdadeiros fundamentos desta manifestação:


“Muita da irritação destas gerações é compreensível. Têm razão no protesto. Mas é bom lembrar que só há desilusão se antes houver ilusão. Foi o mito da vida fácil com dívida europeia que nos meteu a todos nesta crise. Nisso somos todos, mais ou menos, responsáveis.”

“Normalmente omite a terrível dureza da vida das duas primeiras gerações para se centrar na justa raiva das duas últimas. Assim motiva os protestos. Mas protestos porquê? Protestos contra quem? Será que vale a pena protestar contra a data do nosso nascimento? Contra a sociedade onde caímos? Quereríamos voltar atrás? Não podemos e, se pudéssemos, então era difícil convocar manifestações no Facebook!”

Protestos porquê? Seria razoável os avós dos actuais jovens terem-se manifestado contra a má electrificação? Os pais protestarem por sermos mais pobres que a Europa? Eles fizeram muitas manifestações no seu tempo, por exemplo contra a guerra colonial. Mas aí havia um pedido concreto. Hoje o problema dos protestos é não saberem o que querem que se faça. Sabem o que pretendem, o mesmo que todos queremos. Mas, como todos, não sabem bem como lá chegar.”

“Protestos contra quem? Quem é responsável pelo actual estado de coisas? Vamos acusar as gerações anteriores? De quê? Da electrificação? Da democracia e adesão à Europa? De nos terem trazido o Facebook e darem casa aos filhos, porque o trabalho precário não lhes permite melhor?”

Nos excertos que se seguem somos levados a reflectir sobre a realidade económica, social e política, que as últimas três gerações e a actual foram de algum modo “obrigadas” a viver ou sobreviver. Lançando também um repto de unidade e audácia para melhor preparar cívica e moralmente a geração que se segue:

“Existe ainda uma geração entre nós: aquela que terá cerca de 20 anos em 2030. Esses não têm culpa nenhuma. Seria bom que, em vez de protestar contra o estado da nossa geração, todos nos esforçássemos por melhorar a deles, enfrentando este desafio como enfrentámos os anteriores.”

“Ainda é activa boa parte das pessoas que tinham 20 anos por volta de 1955. Essas não se podem considerar enganadas, porque ninguém lhes disse que ia ser fácil. Viveram a guerra colonial e a prosperidade da ditadura. Mas é bom lembrar que nessa prosperidade tratava-se, por exemplo, de terminar a electrificação nacional. Mesmo com emprego seguro e crescimento geral, tinham uma vida hoje inimaginável.”

“A geração seguinte tinha 20 anos por volta de 1975. Essa não conheceu a guerra, mas fez o 25 de Abril e aderiu à Europa. As descrições românticas do período heróico tendem a esconder o medo, a incerteza, os sacrifícios dessa época. O Portugal que no tempo do salazarismo se sabia atrasado e pobre, mesmo crescendo rápido, deixou de crescer e andou nas notícias mundiais devido à confusão. Depois as coisas acalmaram e fomos o "o bom aluno europeu". Mas também aí a geração não foi enganada, porque todos lhe diziam que seria difícil o desafio. E foi.”

“Seguem-se os que tinham 20 anos por volta de 1995. Esses, de facto, podem dizer-se uma geração enganada. Discursos, debates, projectos, planos prometeram que, chegando ao euro, tudo ia ser fácil. Bastava estudar alguma coisinha e haveria empregos bons e seguros. Eles acreditaram. Para depois descobrirem amargamente aquilo que pais e avós tinham sabido à sua maneira: a vida é dura e ninguém nos garante nada. É verdade que a vida hoje é muito menos dura do que foi nas décadas anteriores, cuja dureza já esquecemos. Mas a frustração não vem do que se vive. Vem da expectativa.”

“Existe depois a geração que tem hoje mais ou menos 20 anos. Essa já não é enganada. Discursos, debates, projectos e planos ainda lhes prometem o mesmo de antes, mas ninguém acredita. Notícias, canções, conversas de café e histórias de amigos não deixam ilusões. Esses, como os que fizeram a electrificação ou o 25 de Abril, sabem à partida que a vida vai ser muito dura. Mas, embora sem ilusões, ainda têm uma amargura que os antigos não tinham. Sentem-se com direito ao que sabem que não vão ter porque, de alguma maneira, admitem os tais discursos, embora em desespero.”

Ler mais:

http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1805286&seccao=Jo%E3o C%E9sar das Neves&tag=Opini%E3o - Em Foco&page=-1


quarta-feira, 9 de março de 2011

Geração parva, à rasca ou á deriva?


Com o agravamento da crise, das condições laborais, o aumento dos impostos, etc; os movimentos de contestação têm crescido, muito em especial entre os jovens.
Embora eu concorde em parte com toda esta contestação, tenho de dizer que mais do que gritar, vir para a rua! Há que arrumar as ideias, definir objectivos e arregaçar as mangas!


Ser jovem tem de ser sinal de esperança!

Ficam aqui trechos de dois artigos de opinião com que me Identifico a respeito deste tema:

“Porque se estudaram e são escravos, são parvos de facto. Parvos porque gastaram o dinheiro dos pais e o dos nossos impostos a estudar para não aprender nada.”

Felizmente, os números indicam que a maioria dos licenciados não tem vontade nenhuma de andar por aí a cantarolar esta música, pela simples razão de que ganham duas vezes mais do que a média, e 80% mais do que quem tem o ensino secundário ou um curso profissional.”

“É claro que os jovens tiveram azar no momento em que chegaram à idade do primeiro emprego. Mas o que cantariam os pais que foram para a guerra do Ultramar na idade deles? A verdade é que a crise afecta-nos a todos e não foi inventada «para os tramar», como egocentricamente podem julgar, por isso deixem lá o papel de vítimas, que não leva a lado nenhum.”

“Parecem não perceber que só há uma maneira de dizer basta: passando activamente a ser parte da solução. Acreditem que estamos à espera que apliquem o que aprenderam para encontrar a saída. Bem precisamos dela.”

“Dois tipos com ar idiota e anacrónico gozam com os clichés das "canções de intervenção" do período imediatamente posterior ao 25 de Abril de 1974. Apesar de não terem muita graça, permitem a catarse, a sorrir, - a melhor via para a cura de qualquer trauma social - da evidência ridícula dessa faceta de uma geração que, já agora, foi também a geração, à rasca, que enfrentou problemas tão complexos como a ditadura (política, económica e cultural), a Guerra Colonial, o analfabetismo, a pobreza, o atraso civilizacional, a construção de um novo regime, a descolonização e a inflação de dois dígitos. Não se saíram nada mal, convenhamos.”

“Pois a caricatura foi eleita, pelo voto popular, vencedora do festival da RTP. Como duvido que as células revolucionárias mobilizáveis pelo GAC tenham reaparecido e organizado uma chapelada nas urnas, pasmo. Lembro a votação nas presidenciais em José Manuel Coelho, o candidato ridicularizado pela comunicação social. E como, contraditoriamente, o júri regional da RTP rejeitou esses mesmos Homens da Luta. Junto a convocação, anónima, da manifestação da nova "geração à rasca", do dia 12, que abraçou como hino uma canção do grupo Deolinda...”

“Sabem o que me preocupa? É que a cantiga é uma arma, sim senhor. No tempo de José Mário Branco era contra a burguesia. Agora, com este movimento sorrateiro, não sei muito bem contra o que é. Alguém sabe?”

Ler mais:

http://www.destak.pt/opiniao/87876

http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1800902&page=-1


terça-feira, 8 de março de 2011

A fé e o monopólio da verdade


“Qualquer pessoa verdadeiramente religiosa já alguma vez disse para si mesma: se tivesse nascido noutro continente, de uma família de outra religião, muito provavelmente a minha pertença religiosa seria outra. Na Índia, seria hindu. Em Marrocos ou na Indonésia, muçulmano. Em Israel, de mãe judaica, seguiria o judaísmo. Na China, seria confucianista ou taoísta. No Japão, xintoísta. Na Europa, em Portugal, cristão católico; na Rússia, cristão ortodoxo; na Suécia, cristão luterano.”

“Como conclui Hans Küng, podemos aprender uns com os outros, não apenas tolerar-nos, mas cooperar; temos o direito de debater sinceramente sobre a verdade: ninguém tem o monopólio da verdade, embora isso não signifique renunciar à confissão da verdade própria - "diálogo e testemunho não se excluem"; cada um deve seguir o seu caminho comprovado, mas conceder que os outros podem encontrar a salvação através da sua religião; vendo as coisas de fora, há diferentes caminhos de salvação, diversas religiões verdadeiras, mas, a partir de dentro - por exemplo, "para mim como cristão crente", só há uma religião verdadeira: a minha; a atitude ecuménica significa ao mesmo tempo "firmeza e disposição para o diálogo": "para mim pessoalmente, manter-me fiel à causa cristã, mas numa abertura sem limites aos outros." “


“Não há verdade abstracta. Por um lado, Deus revela-se na história. Por outro, a pessoa religiosa relaciona-se com o Divino pela mediação histórico-concreta de uma tradição religiosa particular.”

Estes são excertos dos dois últimos artigos de opinião do Pe. Anselmo Borges, publicados no jornal Diário de Notícias. Nesses artigos o Pe. Anselmo Borges fala-nos das raízes da nossa crença, do quanto o local onde nascemos e crescemos condicionam a religião que professamos. Diz-nos também que não devemos ter a presunção de deter “o monopólio da verdade”.

Para escrever estes artigos o Pe. Anselmo Borges inspirou-se na última obra -“Was ich glaube (A minha fé) - do grande teólogo católico Hans Küng, autor de grandes obras literárias que todos nós Católicos deveríamos ler!


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Quais serão os resultados destas revoltas populares nos vários países do Norte de África e do Médio Oriente?


Nas últimas semanas muito se tem falado das revoltas populares em vários países do Norte de África e do Médio Oriente.


O jornal Diário de Noticias de hoje publicou dois artigos de opinião sobre o assunto, um de teor mais político da autoria do senhor António Vitorino, político sobejamente conhecido dos portugueses. E outro da autoria da senhora Maria João Tomás investigadora de estudos Islâmicos, de teor mais social.

O que ambos os artigos têm em comum é a apreensão em relação ao rumo que esses países poderão tomar, tanto a nível político, como social!


António Vitorino:


http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1792637&seccao=Ant%F3nio Vitorino&tag=Opini%E3o - Em Foco

“Falar das transições pós-autoritárias leva mesmo alguns autores a tentar construir uma teoria geral sobre o tema. Por muito interessante que o exercício se afigure do ponto de vista académico, cada caso é um caso. As comparações servem, sobretudo, para identificar um conjunto de problemas comuns que se colocam e para aprender (se possível) com os erros já cometidos por outros."


"A estabilização de um novo quadro institucional democraticamente legitimado, a subordinação dos militares ao poder civil, o pluralismo da comunicação social, a formação de partidos políticos, a organização de processos eleitorais credíveis são questões que se incluem na "agenda comum das transições".”


“O movimento em curso, por isso, tem uma origem diluída, um elevado potencial de contestação e de disrupção da ordem pública, mas não gera por si mesmo lideranças nem organizações alternativas. A contestação põe a nu a fragilidade (ou o extremismo, como na Líbia) dos poderes autoritários instituídos, gera o vazio, mas carece de organizações e protagonistas que se prefigurem como alternativas de poder emergentes. É neste ponto que surgem os receios ocidentais de o vazio poder vir a ser preenchido por forças radicais organizadas ligadas ao fundamentalismo islâmico.”

Maria João Tomás:


http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1792626#_page0

“Não creio que o modelo a ser escolhido seja o da democracia ocidental/liberal, porque tem sido muito criticado e é impopular no mundo muçulmano. É apontado como fonte dos mais diversos problemas como, por exemplo, a crise económica e financeira que vivemos. Acresce-se ainda o facto de não haver nos países árabes uma cultura de liberdade política e de princípios de soberania popular, o que torna difícil a compreensão e a aplicação deste regime.”

“A hipótese da democracia turca é encarada como próxima de um possível modelo a adoptar, porque combina os valores do islão e da democracia. É também muito inspirador para os militares que nos países árabes têm um papel muito interventivo e que na Turquia são vistos como árbitro final do poder, tendo afastado extremismos políticos e religiosos do Governo do país.”

“Nesta caminhada para a democracia posiciona-se também o modelo de governo que o islão define e que é o defendido pelos mais conservadores. Transmitido por Alá aos homens através de Maomé, os seus princípios estão escritos no Alcorão e nos relatos da vida de Maomé, mas torna-se muito difícil perceber toda a dinâmica do seu funcionamento e a forma como deve ser aplicado.”

“há quem defenda que o modelo islâmico é uma teocracia porque a soberania é de Alá e cada muçulmano é apenas o seu representante. O poder é delegado nos homens e aquele que o exerce será chamado a prestar contas das suas acções. A legislação está restrita aos limites impostos pela sharia, ou seja, pelas leis de Alá, e os funcionários judiciários são apenas responsáveis perante Alá. As leis têm de ser obedecidas por todos, sem contestação, e não podem ser feitas alterações.”


“A substituição dos actuais regimes no Médio Oriente por democracias é o princípio de uma nova era e existe ainda um longo caminho a percorrer nesta corajosa caminhada que o Egipto e a Tunísia começaram.”






quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Direitos, direitos e mais direitos! E onde ficam os deveres?


Numa época, numa sociedade em que tanto se fala de direitos. As mulheres reclamam direitos de igualdade, o direito ao aborto. Os homossexuais o direito de se unirem civilmente, de adoptarem crianças. Os defensores dos animais o direito dos animais. E poderíamos continuar a enumerar um incontável número de revindicações de direitos!
Então e onde ficam os deveres? O dever de se ser honesto, justo, solidário, etc!?

O artigo de opinião do Pe Anselmo Borges publicado no jornal Diário de Noticias de Sábado faz uma abordagem interessante sobre o assunto, a Declaração universal dos deveres humanos! Aqui ficam alguns trechos desse artigo:

“O Preâmbulo sublinha que: o reconhecimento da dignidade e dos direitos iguais e inalienáveis de todos implica obrigações e deveres; a insistência exclusiva nos direitos pode acarretar conflitos, divisões e litígios intermináveis, e o desrespeito pelos deveres humanos pode levar à ilegalidade e ao caos; os problemas globais exigem soluções globais, que só podem ser alcançadas mediante ideias, valores e normas respeitados por todas as culturas e sociedades; todos têm o dever de promover uma ordem social melhor, tanto no seu país como globalmente, mas este objectivo não pode ser alcançado apenas com leis, prescrições e convenções.”

“ Princípios fundamentais para a humanidade. Cada um/a e todos têm o dever de tratar todas as pessoas de modo humano, lutar pela dignidade e auto-estima de todos os outros, promover o bem e evitar o mal em todas as ocasiões, assumir os deveres para com cada um/a e todos, para com as famílias e comunidades, raças, nações e religiões, num espírito de solidariedade: não faças aos outros o que não queres que te façam a ti.”

“Não violência e respeito pela vida. Todos têm o dever de respeitar a vida. Todo o cidadão e toda a autoridade pública têm o dever de agir de forma pacífica e não violenta. Todas as pessoas têm o dever de proteger o ar, a água e o solo da terra para bem dos habitantes actuais e das gerações futuras.”

“Justiça e solidariedade. Todos têm o dever de comportar-se com integridade, honestidade e equidade. Dispondo dos meios necessários, todos têm o dever de fazer esforços sérios para vencer a pobreza, a subnutrição, a ignorância e a desigualdade, e prestar apoio aos necessitados, aos desfavorecidos, aos deficientes e às vítimas de discriminação. Todos os bens e riquezas devem ser usados de modo responsável, de acordo com a justiça e para o progresso da raça humana.”

“Verdade e tolerância. Todos têm o dever de falar e agir com verdade. Os códigos profissionais e outros códigos de ética devem reflectir a prioridade de padrões gerais como a verdade e a justiça. A liberdade dos media acarreta o dever especial de uma informação precisa e verdadeira. Os representantes das religiões têm o dever especial de evitar manifestações de preconceito e actos de discriminação contra as pessoas de outras crenças.”

“Respeito mútuo e companheirismo. Todos os homens e todas mulheres têm o dever de demonstrar respeito uns para com os outros e compreensão no seu relacionamento. Em todas as suas variedades culturais e religiosas, o casamento requer amor, lealdade e perdão e deve procurar garantir segurança e apoio mútuo. O planeamento familiar é um dever de todos os casais. O relacionamento entre os pais e os filhos deve reflectir o amor mútuo, o respeito, a consideração e o cuidado.”

Ler mais:

http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1782366&seccao=Anselmo Borges&tag=Opini%E3o - Em Foco&page=2

http://debitandodeveres.blogspot.com/2010/03/declaracao-universal-dos-deveres-do.html

http://aeiou.visao.pt/declaracao-universal-dos-deveres-do-homem=f541475



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Bibi Aisha uma entre muitas vítimas



A foto galardoada com o prémio do World Press Photo é a foto de uma jovem de 19 anos vítima de violências constantes às mãos do marido e da família deste. Seu nome é Bibi Aisha.
Fugiu de casa e foi apanhada, como castigo cortaram-lhe o nariz e as orelhas. Voltou a fugir e denunciou os maus tratos a que era sujeita.
Nesta sua segunda fuga, a jovem afegã foi amparada por uma organização de apoio a mulheres vítimas de violências e irá ser enviada para os Estados Unidos, onde será operada.

Quantas mulheres estarão no mundo em situação semelhante á de Aisha?


Ler mais:

http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=A-historia-da-mulher-a-quem-cortaram-o-nariz.rtp&article=365600&visual=3&layout=10&tm=7

http://publico.pt/Cultura/fotografia-de-afega-mutilada-vence-world-press-photo_1479759

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Leis de ambíguos benefícios e manifestos prejuízos


Nos últimos anos os nossos políticos têm se preocupado em legislar sobre os chamados temas fracturantes. Mas, pelo que está patente no artigo de opinião da D. Maria José Nogueira Pinto publicado hoje no jornal Diário de Noticias, não o têm feito da melhor maneira! Bem pelo contrário!
Senão vejamos:

“foi notícia que os juízes ignoravam a nova lei do divórcio, dois anos após a sua entrada em vigor, e continuavam a aplicar o conceito de "culpa". As mudanças essenciais da lei parecem não ter tido consequências, e os riscos para os quais magistrados e advogados alertaram revelaram-se pertinentes, assim como os argumentos do Presidente da República aquando do veto.”

“Já a lei que veio permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo só foi aprovada porque incorporou expressamente uma humilhante capitis diminutio: os gays podem casar-se mas não lhes é reconhecida qualquer capacidade parental. Um problema a resolver a posteriori? Uma suposta capitulação táctica? Não, apenas uma humilhação infligida pelos defensores da lei, pelos paladinos dessa igualdade inventada à pressa e pelo preço mais barato. Quantos gays e lésbicas se casaram entretanto? Pouquíssimos. Mas, como se sabe, o objectivo não era esse.”

“A Lei da Procriação Medicamente Assistida também sofreu do mesmo processo que escamoteia o essencial e remete para momento posterior omissões e contradições. Todos sabem que no actual estado da arte os embriões excedentários são uma consequência inultrapassável, mas o legislador preferiu nada dizer sobre a sua destruição. Este era e é o busílis da lei, e à falta de melhor solução varreu-se para debaixo do tapete. Vem agora o Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida, mais de quatro anos depois, propor uma espécie de eliminação administrativa dos embriões excedentários - vida humana para todos os efeitos - sem sequer cuidar de um mínimo de formalidade que a natureza da questão requer, limites precisos como recomenda a dignidade da matéria, mecanismos de certeza e segurança jurídica que previnam más práticas e abusos. Entretanto, os jornais dão conta da venda de óvulos (a lei só permite a doação), e, mesmo perante a evidência da entrevista dada pela vendedora, a inspecção vem dizer que não detectou qualquer irregularidade.”

“Eram já conhecidos indicadores preocupantes no que se refere ao aborto após a aprovação da lei, mas ficámos agora a saber que os resultados vão no sentido oposto do que foi propagado pelos que promoveram a liberalização e viabilizaram a lei: 50% das mulheres que fazem aborto faltam à consulta de planeamento familiar obrigatória 15 dias depois; há mulheres que fazem, no Serviço Nacional de Saúde, dois a três abortos por ano; o número de abortos aumentou de 12 mil para 18 mil, em 2008, e para 19 mil em 2009, mantendo-se a tendência em 2010.”


Ler mais:

http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1780235&seccao=Maria Jos%E9 Nogueira Pinto&tag=Opini%E3o - Em Foco



quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Que sociedade temos nós?



Hoje ao assistir ao telejornal da hora de almoço, vi uma notícia que me deixou escandalizado, espantado, estupefacto!
Pensava eu que este tipo de coisas só acontecia em países do terceiro mundo. Países onde falta tudo, sensibilidade, recursos humanos, leis, e até o reconhecimento dos direitos humanos! Mas, não, não era um pesadelo! Era verdade!

A PSP encontrou ontem no chão da cozinha de um apartamento na Rinchoa, em Rio de Mouro, o corpo de uma mulher idosa que deve ter falecido há já nove anos, sem que o seu desaparecimento tenha sido detectado.

Após esta notícia se ter tornado publica houve já algumas reacções:
O sociólogo Manuel Villaverde Cabral coordenador do Instituto do Envelhecimento da Universidade de Lisboa declarou que:

"É pena que tenha de haver casos trágicos como este para que a opinião pública tome consciência, através da comunicação social, do problema cada vez mais frequente do isolamento em que vive uma grande parte dos idosos"
"é extraordinário que nem as autoridades policiais, nem tão pouco os serviços de saúde e da segurança social, se tenham interessado pelo desaparecimento", "mesmo quando foram alertadas pela vizinhança".”

O Padre Vítor Melícias defende novas formas de convivência social para evitar casos como o desta idosa descoberta em casa nove anos depois de ter morrido:

“O isolamento e a solidão de idosos residentes em grandes meios urbanos têm de ser combatidos através de novas formas "urgentes" de convivência e inovação social, defendeu hoje o padre Vítor Melícias.”

“"Ao mesmo tempo, é um desafio para novas formas de organização da convivência social, como a solidariedade de vizinhança", defendeu.” “ Vítor Melícias classifica os casos "crescentes" de isolamento e solidão dos idosos como "um dos dramas grandes" da sociedade actual. "O urbanismo desmesurado potencia estes casos, impossíveis de acontecer em aldeias antigas, onde as pessoas se conhecem e têm relações de proximidade", afirmou.”


Ler mais:

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1779670&seccao=Sul


http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1780024&seccao=Sul


http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1779988