terça-feira, 31 de maio de 2011

Falemos do que está realmente em jogo nestas eleições legislativas!






Estando a menos de uma semana das eleições legislativas, há ainda muitos portugueses com muitas dúvidas; não sabem se devem ir votar, em quem votar, se estas eleições terão realmente repercussões na nossa vida quotidiana etc.

O Doutor João César das Neves, no seu artigo de opinião publicado hoje no jornal Diário de Noticias, ajuda-nos a compreender o quanto é importante ir votar nestas eleições!
Resumindo, só com o nosso voto, o voto consciente de cada português se pode escolher o caminho que queremos para o nosso país!

Aqui fica o que de mais significante encontrei neste artigo:

“Para entender a situação é preciso ultrapassar o nevoeiro da retórica eleitoral e a tolice dos comentadores de ocasião e avaliar o plano económico. Isso exige algo que poucos fazem: ler o "memorando de entendimento", não para encontrar argumentos, mas para saber o que diz.”

“O plano tem três aspectos surpreendentes. Primeiro, ao contrário de 1978 e 1983, não se limita ao buraco financeiro, mas preocupa-se com o crescimento e a reestruturação da economia. Do mercado de trabalho (4.1-4.9) à energia (5), saúde (3.49-3.82), bancos (2) e correios (5.20-5.21), as propostas estendem-se a múltiplos aspectos da situação. Claro que as coisas estão ligadas e o pagamento da dívida será facilitado se a estagnação económica for rompida. Mas o FMI costuma ser acusado de visão mesquinha e curta, sacrificando o desenvolvimento futuro aos pagamentos imediatos. Desta vez, pelo menos, adoptou atitude larga e sensata.”

“Além disso, forçando dolorosos ajustamentos que farão sofrer muita gente, o plano mostra preocupações sociais de justiça: nas pensões (1.11), nos benefícios fiscais (1.20 i), nas taxas moderadoras (3.49), no acesso à saúde (3.69 i), no subsídio de desemprego (4.1 iv), etc. Também isto é inesperado. Mas o elemento central é que, apesar de marcar metas claras e precisas, deixa a Portugal a escolha dos meios para as atingir. Chega a recomendar estudos que indicarão a solução. Haverá controle apertado na obtenção de exigentes objectivos, mas bastantes graus de liberdade na forma de os conseguir.”

“Este elemento torna as eleições relevantes. O plano apenas fornece um esquema geral, que o nosso Governo concretizará. Ele acerta os totais; mas dá liberdade nas parcelas. Seremos nós a decidir quem paga os custos da solidez financeira. O memorando traça o destino, e nisso o nosso voto é irrelevante. O que decidiremos no domingo é a partilha de sacrifícios. Esta é, ao mesmo tempo, a oportunidade e o perigo, pois torna visível a nossa questão social.”

“Primeiro, maioria absoluta. Depois, um Governo com sentido de Estado, que ponha o interesse nacional acima da popularidade imediata. Se o plano tiver sucesso, dentro de quatro anos ganhará as eleições por mérito próprio. Entretanto, poderá ir atirando a culpas para o FMI.”

“Portugal tem três problemas: financeiro, económico e social. O memorando tratará dos dois primeiros, se as eleições resolverem o terceiro.”


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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Assim se faz campanha eleitoral no nosso país!

Compram-se apoiantes por dez ou quinze euros; mesmo que não possam votar! Pois…trata-se de emigrantes!



Barra-se a aproximação de manifestantes incómodos a qualquer custo! Nem que seja com recurso á violência!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

As semelhanças entre José Sócrates e o grande actor António Silva

Ao ler o artigo de opinião do Dr. João César das Neves publicado hoje no jornal Diário de Noticias, senti um misto de preocupação e vontade de rir!!



É tão evidente a semelhança entre estes dois grandes actores, que, não resisti á tentação de aos trechos do artigo de opinião adicionar pequenos vídeos do grande actor que foi António Silva!




“Na campanha eleitoral de 2005 e nos primeiros meses após tomar posse como chefe do Governo, Sócrates tomou a atitude digna e severa do alfaiate Caetano de A Canção de Lisboa (1933). Sempre muito imparcial e desinteressado, criticava o Vasquinho da Anatomia (na circunstância o Dr. Santana Lopes, antecessor no cargo) como cábula e estroina. Acima de tudo, estava indignado por ele namorar com a filha, a costureirinha Alice (o povo). Entretanto, com "a máxima imparcialidade" manipulava a seu favor o resultado da eleição da rainha das costureiras da Academia Recreativa Dr. Barbosa Girão: "então um bocado de hino, façam favor, sim?". De facto, as promessas solenes de nunca subir impostos foram logo renegadas, aumentando o IVA. Afinal tudo não passava de um truque para poder "comer o dinheiro às velhotas", as tias de Trás-os-Montes.”



“À medida que o tempo passava o senhor Primeiro-Ministro, genial comediante, mudou de pele e foi aparecendo como o senhor Anastásio de O Leão da Estrela (1947). Eterno optimista, fazia promessas inauditas: plano tecnológico, reforma da administração, saúde e educação, energias renováveis, tudo ia ser possível: "O Peyroteo chuta no Terreiro do Paço e mete golo no estádio do Lima." Além disso defendia os seus partidários com todo o fanatismo: "Se é leão é um homem de bem." Com ele a democracia ganhava novos cambiantes: "Eu trato o meu semelhante de igual para igual: o que é meu é meu, o que é teu é nosso."



“Quando se começou a ver que as reformas afinal não aconteciam, e além disso os jornais descobriam escândalos sucessivos, houve nova mudança, desta vez para Simplício Costa de O Costa do Castelo (1943). Versejador, professor de fado, caloteiro sempre optimista, era imparável: "Quanto é que você aposta/que o povinho até se afasta,/quando vir passar o Costa/a correr com esta pasta?". Os seus planos e projectos eram como a da compra da telefonia de 300 escudos: "'Vendia-ma por 400. Eu dava-lhe 20 escudos semana sim, semana não. Na semana sim, que eu não pagaria, ficava para a semana não. Sim?' 'Não!'."



“Chegou-se finalmente ao momento decisivo. Em Setembro de 2008 o mundo caiu na maior crise do nosso tempo, que finalmente revelou José Sócrates na sua real personalidade. Ele é O Grande Elias (1950), o supremo aldrabão. Os seus esquemas são todos infalíveis. Foi à Europa e disse: "'Vamos fazer uma vaca de cem escudos. Tu dás os cem escudos'. 'E tu?'. 'Eu dou o palpite que vale três contos e quinhentos. Achas pouco?'". Assim os gastos iam subindo. Eram auto- -estradas, PPP, aeroporto, TGV, tudo ideias excelentes que sorviam cada vez mais verbas: "'200 contos!? Mas para que é que foi tanto dinheiro?' 'Outra ideia do Elias. Disse-me que era para uma fábrica de botões'. 'E que fizeram aos 200 contos'. 'Ora, abotoaram- -se com eles'." Só que infelizmente, ao contrário do filme, no final a tia do Brasil (que neste caso era alemã e chamava-se Ângela) não o quis salvar.”



“Tudo acabou, nos últimos tempos, como o Evaristo droguista de O Pátio das Cantigas (1942), julgando-se superior aos vizinhos, sempre ofendido porque acha que ninguém o entende. É gozado por todos mas mantêm uma sobranceira indignação perante as incompreensões. Acima de tudo, fica "dessincronizado" quando lhe gritam "Oh Evaristo, tens cá disto?". Porque já só terá aquilo que lhe emprestarem.”



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http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1847507&seccao=Jo%E3o C%E9sar das Neves&tag=Opini%E3o - Em Foco







terça-feira, 12 de abril de 2011

Os símbolos e as expressões religiosas no Ocidente são crime?




«Esconder a cara no espaço público, seja com o que for, é passível, a partir de hoje em França, de uma punição com uma multa de 150 euros ou um estágio de cidadania.”»

«"Esta lei é um atentado aos meus direitos europeus, não faço mais do que os defender: ou seja a minha liberdade de ir e vir, a minha liberdade religiosa", afirmou Drider, rodeada por alguns jornalistas na gare de Avignon (sudeste), onde ia apanhar um comboio para Paris.»

«"Esta lei viola o direito", insistiu esta mãe de quatro filhos que vive em Avignon.»

«"Segundo esta lei, a minha mulher devia ficar fechada em casa, acham normal? Não consigo compreender isto no país dos direitos humanos", declarou o marido, Allal Drider, que a tinha vindo acompanhar à gare.»

«No entanto, outras opiniões, como a de Malek Chebel, um dos principais teóricos do Islão em França e tradutor do Corão em francês, prefere classificar a medida como "uma lei má de má política". "O que está em causa é, apenas, o lugar do Islão em França, na Europa e no mundo", declarou Chebel, autor de obras de referência como "O Islão das Luzes" e que se distinguiu em quase dois anos de debate por ser tanto contra a interdição como contra o uso do véu integral. "O Islão causa medo: é uma religião jovem, em renascimento", sublinhou também Chebel.»



Ao ler estas notícias, fico com a nítida sensação de que o Ocidente está a tomar medidas extremistas semelhantes às que tanto criticamos nos países Islâmicos! Tal como a polémica dos crucifixos nas escolas, esta lei que proíbe o uso do véu integral em França parece-me excesso de zelo, até uma perseguição religiosa! Nos dias de hoje a Ocidente qualquer manifestação de fé é considerada quase um crime!


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terça-feira, 15 de março de 2011

Os nossos políticos Católicos e a Doutrina Social da Igreja


Sabendo nós que vivemos num País tradicionalmente Católico, havendo inclusive estudos que comprovam que mais de 80 % dos Portugueses receberam o sacramento do baptismo, é lógico acreditar que mais de 50% dos nossos Políticos sejam Católicos! É por tudo isso, é inadmissível as politicas por eles praticadas, á luz da Doutrina Social da Igreja!

Senão vejamos:


“Os modos concretos como a comunidade política organiza a própria estrutura e o equilíbrio dos poderes públicos, podem variar, segundo a diferente índole e o progresso histórico dos povos; mas devem sempre ordenar-se à formação de homens cultos, pacíficos e benévolos para com todos, em proveito de toda a família humana.” (G.S. 74)

“Para estabelecer uma vida política verdadeiramente humana, nada melhor do que fomentar sentimentos interiores de justiça e benevolência e serviço do bem comum e reforçar as convicções fundamentais acerca da verdadeira natureza da comunidade política, bem como do fim, recto exercício e limites da autoridade." (G.S. 73)

“Todos os cristãos tenham consciência da sua vocação especial e própria na comunidade política; por ela são obrigados a dar exemplo de sentida responsabilidade e dedicação pelo bem comum, de maneira a mostrarem também com factos como se harmonizam a autoridade e a liberdade, a iniciativa pessoal e a solidariedade do inteiro corpo social, a oportuna unidade com a proveitosa diversidade. Reconheçam as legítimas opiniões, divergentes entre si, acerca da organização da ordem temporal, e respeitem os cidadãos e grupos que as defendem honestamente……. Deve atender-se cuidadosamente à educação cívica e política, hoje tão necessária à população e sobretudo aos jovens, para que todos os cidadãos possam participar na vida da comunidade política. Os que são ou podem tornar-se aptos para exercer a difícil e muito nobre arte da política, preparem-se para ela; e procurem exercê-la sem pensar no interesse próprio ou em vantagens materiais.” (G.S. 75)

“Aderindo fielmente ao Evangelho e realizando a sua missão no mundo, a Igreja -a quem pertence fomentar e elevar tudo o que de verdadeiro, bom e belo se encontra na comunidade dos homens - consolida, para glória de Deus, a paz entre os homens.” (G.S. 76)


“Se o homem se deixar ultrapassar e não prever a tempo e horas a emergência dos novos problemas sociais, estes tornar-se-ão demasiado graves para poder esperar-se para eles uma solução pacífica.” (O.A. 16)

“Tomar a sério a política, nos seus diversos níveis, local, regional, nacional e mundial, é afirmar o dever do homem, de todos os homens de reconhecerem a realidade concreta e o valor da liberdade de escolha que lhes é proporcionada, para procurarem realizar juntos o bem da cidade, da nação e da humanidade. A política é uma maneira exigente - se bem que não seja a única - de viver o compromisso cristão, ao serviço dos outros. Sem resolver todos os problemas, naturalmente, a mesma política esforça-se por fornecer soluções, para as relações dos homens entre si. O seu domínio é vasto e abrange muitas coisas, não é porém, exclusivo; e uma atitude exorbitante que pretendesse fazer da política algo de absoluto, tornar-se-ia um perigo grave. Reconhecendo muito embora a autonomia da realidade política, esforçar-se-ão os cristãos, solicitados a entrarem na acção política, por encontrar uma coerência entre as suas opções e o Evangelho e, dentro de um legítimo pluralismo, por dar um testemunho, pessoal e colectivo, da seriedade da sua fé, mediante um serviço eficaz e desinteressado para com os homens.” (O.A.46)


“Misturadas com as diversas correntes e a par das aspirações legítimas insinuam-se também orientações ambíguas; por isso, o cristão deve operar uma selecção e evitar de comprometer-se em colaborações incondicionais e contrárias aos princípios de um verdadeiro humanismo, mesmo que tais colaborações sejam solicitadas em nome de solidariedades efectivamente sentidas. Se ele quiser, de fato, desempenhar um papel específico como cristão, em conformidade com a sua fé - aquele papel que os próprios não crentes esperam dele - ele deve velar, no decurso do seu compromisso activo, para que as suas motivações sejam sempre esclarecidas, para transcender os objectivos prosseguidos, com uma visão mais compreensiva, a qual lhe servirá para evitar o escolho dos particularismos egoístas e dos totalitarismos opressores.” (O.A. 49)

“A Igreja convida todos os cristãos para uma dupla tarefa, de animação e de inovação, a fim de fazer evoluir as estruturas, para as adaptar às verdadeiras necessidades actuais….. Cada um deve ter muito a peito o examinar-se a si mesmo e o fazer brotar em si aquela liberdade verdadeira segundo Cristo, que abra para uma visão universal, no meio dos condicionamentos mais particulares.” (O.A. 50)

Ler mais:

http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_sp.html

http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/apost_letters/documents/hf_p-vi_apl_19710514_octogesima-adveniens_po.html

http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/justpeace/documents/rc_pc_justpeace_doc_20060526_compendio-dott-soc_po.html#A COMUNIDADE POLÍTICA

segunda-feira, 14 de março de 2011

“Geração á rasca”? São todas!


Geração á rasca”, foi o titulo atribuído á manifestação ocorrida no sábado passado. As reacções não se fizeram esperar, para uns foi um sucesso, para outros uma vergonha! Para mim nem uma coisa nem outra!
Se por um lado tenho que dar razão a quem se manifestou, pois todos nós estamos á rasca! Por outro lado tenho que dizer que olhando ao facto de não ter ouvido ou lido qualquer proposta ou alternativa criteriosa, tenho também de concordar com quem não se manifestou!

João César das Neves no seu artigo de opinião publicado hoje no jornal Diário de Noticias revela a sua opinião, da qual eu partilho e aqui exponho grande parte.


Estes excertos levam-nos a questionar os verdadeiros fundamentos desta manifestação:


“Muita da irritação destas gerações é compreensível. Têm razão no protesto. Mas é bom lembrar que só há desilusão se antes houver ilusão. Foi o mito da vida fácil com dívida europeia que nos meteu a todos nesta crise. Nisso somos todos, mais ou menos, responsáveis.”

“Normalmente omite a terrível dureza da vida das duas primeiras gerações para se centrar na justa raiva das duas últimas. Assim motiva os protestos. Mas protestos porquê? Protestos contra quem? Será que vale a pena protestar contra a data do nosso nascimento? Contra a sociedade onde caímos? Quereríamos voltar atrás? Não podemos e, se pudéssemos, então era difícil convocar manifestações no Facebook!”

“Protestos porquê? Seria razoável os avós dos actuais jovens terem-se manifestado contra a má electrificação? Os pais protestarem por sermos mais pobres que a Europa? Eles fizeram muitas manifestações no seu tempo, por exemplo contra a guerra colonial. Mas aí havia um pedido concreto. Hoje o problema dos protestos é não saberem o que querem que se faça. Sabem o que pretendem, o mesmo que todos queremos. Mas, como todos, não sabem bem como lá chegar.”

“Protestos contra quem? Quem é responsável pelo actual estado de coisas? Vamos acusar as gerações anteriores? De quê? Da electrificação? Da democracia e adesão à Europa? De nos terem trazido o Facebook e darem casa aos filhos, porque o trabalho precário não lhes permite melhor?”

Nos excertos que se seguem somos levados a reflectir sobre a realidade económica, social e política, que as últimas três gerações e a actual foram de algum modo “obrigadas” a viver ou sobreviver. Lançando também um repto de unidade e audácia para melhor preparar cívica e moralmente a geração que se segue:

“Existe ainda uma geração entre nós: aquela que terá cerca de 20 anos em 2030. Esses não têm culpa nenhuma. Seria bom que, em vez de protestar contra o estado da nossa geração, todos nos esforçássemos por melhorar a deles, enfrentando este desafio como enfrentámos os anteriores.”

“Ainda é activa boa parte das pessoas que tinham 20 anos por volta de 1955. Essas não se podem considerar enganadas, porque ninguém lhes disse que ia ser fácil. Viveram a guerra colonial e a prosperidade da ditadura. Mas é bom lembrar que nessa prosperidade tratava-se, por exemplo, de terminar a electrificação nacional. Mesmo com emprego seguro e crescimento geral, tinham uma vida hoje inimaginável.”

“A geração seguinte tinha 20 anos por volta de 1975. Essa não conheceu a guerra, mas fez o 25 de Abril e aderiu à Europa. As descrições românticas do período heróico tendem a esconder o medo, a incerteza, os sacrifícios dessa época. O Portugal que no tempo do salazarismo se sabia atrasado e pobre, mesmo crescendo rápido, deixou de crescer e andou nas notícias mundiais devido à confusão. Depois as coisas acalmaram e fomos o "o bom aluno europeu". Mas também aí a geração não foi enganada, porque todos lhe diziam que seria difícil o desafio. E foi.”

“Seguem-se os que tinham 20 anos por volta de 1995. Esses, de facto, podem dizer-se uma geração enganada. Discursos, debates, projectos, planos prometeram que, chegando ao euro, tudo ia ser fácil. Bastava estudar alguma coisinha e haveria empregos bons e seguros. Eles acreditaram. Para depois descobrirem amargamente aquilo que pais e avós tinham sabido à sua maneira: a vida é dura e ninguém nos garante nada. É verdade que a vida hoje é muito menos dura do que foi nas décadas anteriores, cuja dureza já esquecemos. Mas a frustração não vem do que se vive. Vem da expectativa.”

“Existe depois a geração que tem hoje mais ou menos 20 anos. Essa já não é enganada. Discursos, debates, projectos e planos ainda lhes prometem o mesmo de antes, mas ninguém acredita. Notícias, canções, conversas de café e histórias de amigos não deixam ilusões. Esses, como os que fizeram a electrificação ou o 25 de Abril, sabem à partida que a vida vai ser muito dura. Mas, embora sem ilusões, ainda têm uma amargura que os antigos não tinham. Sentem-se com direito ao que sabem que não vão ter porque, de alguma maneira, admitem os tais discursos, embora em desespero.”

Ler mais:

http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1805286&seccao=Jo%E3o C%E9sar das Neves&tag=Opini%E3o - Em Foco&page=-1


quarta-feira, 9 de março de 2011

Geração parva, à rasca ou á deriva?


Com o agravamento da crise, das condições laborais, o aumento dos impostos, etc; os movimentos de contestação têm crescido, muito em especial entre os jovens.
Embora eu concorde em parte com toda esta contestação, tenho de dizer que mais do que gritar, vir para a rua! Há que arrumar as ideias, definir objectivos e arregaçar as mangas!


Ser jovem tem de ser sinal de esperança!

Ficam aqui trechos de dois artigos de opinião com que me Identifico a respeito deste tema:

“Porque se estudaram e são escravos, são parvos de facto. Parvos porque gastaram o dinheiro dos pais e o dos nossos impostos a estudar para não aprender nada.”

“Felizmente, os números indicam que a maioria dos licenciados não tem vontade nenhuma de andar por aí a cantarolar esta música, pela simples razão de que ganham duas vezes mais do que a média, e 80% mais do que quem tem o ensino secundário ou um curso profissional.”

“É claro que os jovens tiveram azar no momento em que chegaram à idade do primeiro emprego. Mas o que cantariam os pais que foram para a guerra do Ultramar na idade deles? A verdade é que a crise afecta-nos a todos e não foi inventada «para os tramar», como egocentricamente podem julgar, por isso deixem lá o papel de vítimas, que não leva a lado nenhum.”

“Parecem não perceber que só há uma maneira de dizer basta: passando activamente a ser parte da solução. Acreditem que estamos à espera que apliquem o que aprenderam para encontrar a saída. Bem precisamos dela.”

“Dois tipos com ar idiota e anacrónico gozam com os clichés das "canções de intervenção" do período imediatamente posterior ao 25 de Abril de 1974. Apesar de não terem muita graça, permitem a catarse, a sorrir, - a melhor via para a cura de qualquer trauma social - da evidência ridícula dessa faceta de uma geração que, já agora, foi também a geração, à rasca, que enfrentou problemas tão complexos como a ditadura (política, económica e cultural), a Guerra Colonial, o analfabetismo, a pobreza, o atraso civilizacional, a construção de um novo regime, a descolonização e a inflação de dois dígitos. Não se saíram nada mal, convenhamos.”

“Pois a caricatura foi eleita, pelo voto popular, vencedora do festival da RTP. Como duvido que as células revolucionárias mobilizáveis pelo GAC tenham reaparecido e organizado uma chapelada nas urnas, pasmo. Lembro a votação nas presidenciais em José Manuel Coelho, o candidato ridicularizado pela comunicação social. E como, contraditoriamente, o júri regional da RTP rejeitou esses mesmos Homens da Luta. Junto a convocação, anónima, da manifestação da nova "geração à rasca", do dia 12, que abraçou como hino uma canção do grupo Deolinda...”

“Sabem o que me preocupa? É que a cantiga é uma arma, sim senhor. No tempo de José Mário Branco era contra a burguesia. Agora, com este movimento sorrateiro, não sei muito bem contra o que é. Alguém sabe?”

Ler mais:

http://www.destak.pt/opiniao/87876

http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1800902&page=-1


terça-feira, 8 de março de 2011

A fé e o monopólio da verdade


“Qualquer pessoa verdadeiramente religiosa já alguma vez disse para si mesma: se tivesse nascido noutro continente, de uma família de outra religião, muito provavelmente a minha pertença religiosa seria outra. Na Índia, seria hindu. Em Marrocos ou na Indonésia, muçulmano. Em Israel, de mãe judaica, seguiria o judaísmo. Na China, seria confucianista ou taoísta. No Japão, xintoísta. Na Europa, em Portugal, cristão católico; na Rússia, cristão ortodoxo; na Suécia, cristão luterano.”

“Como conclui Hans Küng, podemos aprender uns com os outros, não apenas tolerar-nos, mas cooperar; temos o direito de debater sinceramente sobre a verdade: ninguém tem o monopólio da verdade, embora isso não signifique renunciar à confissão da verdade própria - "diálogo e testemunho não se excluem"; cada um deve seguir o seu caminho comprovado, mas conceder que os outros podem encontrar a salvação através da sua religião; vendo as coisas de fora, há diferentes caminhos de salvação, diversas religiões verdadeiras, mas, a partir de dentro - por exemplo, "para mim como cristão crente", só há uma religião verdadeira: a minha; a atitude ecuménica significa ao mesmo tempo "firmeza e disposição para o diálogo": "para mim pessoalmente, manter-me fiel à causa cristã, mas numa abertura sem limites aos outros." “


“Não há verdade abstracta. Por um lado, Deus revela-se na história. Por outro, a pessoa religiosa relaciona-se com o Divino pela mediação histórico-concreta de uma tradição religiosa particular.”

Estes são excertos dos dois últimos artigos de opinião do Pe. Anselmo Borges, publicados no jornal Diário de Notícias. Nesses artigos o Pe. Anselmo Borges fala-nos das raízes da nossa crença, do quanto o local onde nascemos e crescemos condicionam a religião que professamos. Diz-nos também que não devemos ter a presunção de deter “o monopólio da verdade”.

Para escrever estes artigos o Pe. Anselmo Borges inspirou-se na última obra -“Was ich glaube (A minha fé) - do grande teólogo católico Hans Küng, autor de grandes obras literárias que todos nós Católicos deveríamos ler!