quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Greve geral ou dia de descanso e festa?


Hoje é dia de greve geral, é dia de protesto, dia de os portugueses virem para a rua protestar, gritar palavras de ordem!

Mas será que era isso que estava programado? Será que foi isso que aconteceu?

Ouvindo as noticias não me parece! Muitos portugueses ficaram em casa, outros foram trabalhar e uma maioria veio para a rua protestar gritar palavras de ordem!

Mas esta greve foi também motivo para a preparação de concertos e festas:

“17h30:E venha a música. Escolha o melhor lugar junto ao palco no Rossio para o concerto organizado pelos Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, da CGTP. Jorge Palma, Camané, Janita Salomé, Peste&Sida, Zé Pedro (dos Xutos e Pontapés9 e Alex (dos Rádio Macau). Aprenda a palavra de ordem: "Contra as injustiças. Mudar de políticas." E se os artistas concordarem, grite bem alto.”

“21h30: Está prometida a festa da greve. A CGTP e a UGT ainda não divulgaram onde será.”

Não será estranho estarmos a viver uma situação tão complicada, o país quase na banca rota e uma grave geral dá origem a um dia de descanso extra, festas e concertos?

Ler mais:

http://sol.sapo.pt/inicio/Cultura/Interior.aspx?content_id=4814

http://www.sabado.pt/Multimedia/FOTOS/-spam---b--Politica---b----spam-/Guia-para-a-greve-geral.aspx

Bento XVI, o livro e o preservativo




"Luz do Mundo - O Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos" é um livro que resulta de uma entrevista entre Bento XVI e o jornalista alemão Peter Seewald. Livro esse que tem dado azo a muitos comentários por parte de toda a comunicação social mundial, mas, muito centrada numa pequena parte do livro, naquilo que se pode chamar um “tema fracturante”:

“Com as declarações de Bento XVI sobre o uso do preservativo - considerando que é admissível "em certos casos", para evitar a transmissão de doenças como a sida - quebrou-se um dos tabus da Igreja Católica - e um dos mais criticados, sobretudo de fora.”


Ler mais:

http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1717930

Esquecendo tudo o resto, esquecendo o restante livro onde se pode encontrar muitos outros temas, também eles importantes:


“Bento XVI dá-se a conhecer pelas suas próprias palavras e várias passagens (ver notícias relacionadas) foram já divulgadas por agências de notícias e pelo próprio jornal do Vaticano, «L’Osservatore Romano», merecendo grande destaque na imprensa mundial.”

“Bento XVI fala num “fio condutor” na sua vida: “O Cristianismo dá alegria, alarga os horizontes. Em definitivo, uma existência vivida sempre e apenas «contra» seria insuportável”.”

“"Temos sobretudo de procurar que as pessoas não percam Deus de vista. Temos de procurar que elas reconheçam o tesouro que possuem. Temos de procurar que, depois, elas próprias, a partir da força da sua própria fé, entrem no confronto com o secularismo e consigam concretizar a separação dos espíritos. Este enorme processo é a verdadeira, a grande missão deste tempo", afirma.”

““Pobre mendigo diante de Deus”, Bento XVI diz que, perante a modernidade, é necessária uma “grande luta espiritual” para afastar e distinguir “aquilo que se está a tornar uma contra-religião”.”

“O Papa diz que os temas da eternidade são como “pão duro” para a humanidade de hoje, pelo que os cristãos têm de “encontrar palavras e modos novos para permitir ao homem destruir o muro do som do finito”.”


Ler mais:

http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=82783




Valores morais e a crise




Como já escrevi em outras ocasiões, para mim uma das principais razões da actual crise, é uma outra crise! A crise de valores morais!

Que moral teremos nós, comuns cidadãos, para criticar os nossos políticos pelas suas atitudes pouco éticas, quando nós fazemos o mesmo?

Ou será que viver acima das possibilidades, fugir aos impostos, pedir ou meter uma cunha por um amigo, tentar subornar uma autoridade ou receber parte do vencimento por fora sem fazer descontos, é prática exclusiva dos nossos políticos? Não me parece!

O Padre Anselmo Borges e o Doutor João César das Neves, dois dos cronistas que escrevem no jornal Diário de Noticias, e que mais aprecio, comprovam em parte a minha teoria:

“Os seres humanos são constitutivamente abertos à questão ética, porque nascem por fazer, devido à neotenia, e devem fazer-se bem moralmente, porque a sua lei é a lei da liberdade e da dignidade. Devemos habitar o mundo eticamente (o étimo de ética é êthos, morada).”

“E que fazer? Queres saber se esta ou aquela acção é boa ou má? Pergunta a ti mesmo o que aconteceria se todos se comportassem como tu e se quererias isso honrada e dignamente. Se todos mentissem, quem poderia acreditar em alguém? Quererias viver numa sociedade na qual todos roubassem? Se toda a gente matasse, nem sociedade existiria. Se ninguém pagasse impostos, não poderia erguer-se uma vida comum em dignidade e todos perderiam.”

“O grande desafio do nosso tempo é a formação ética, para os valores. Quando isso não acontece, remetemos constantemente para a política, para as leis, para os tribunais... Ora, neste quadro, fica-se confrontado com duas questões temíveis.”

“não é possível legislar sobre tudo, até porque o indivíduo tem mais deveres do que o cidadão, pois há o pré-político e o pré-jurídico. Depois, seja como for, sem ética assumida - e poderia acrescentar: sem referência religiosa ao Absoluto -, fica apenas a lei e a sua sanção, o medo e a esperança de não ser apanhado. Por exemplo, se não se pagar impostos e se for apanhado, tanto pior... De qualquer forma, nesta lógica, sem valores éticos assumidos, acaba, no limite, por ser necessário colocar um polícia junto de cada cidadão, mas, como os polícias também são humanos, é preciso pôr um polícia junto de cada polícia... Ai!, o totalitarismo!”

“A crise tem vários culpados, alguns evidentes. E até é verdade que muitos desses estão a passar incólumes beneficiando das suas tropelias. Justiça e tribunais devem puni-los. Mas também devemos deixar a busca obsessiva de arguidos. É muito estúpido, quando a casa está a arder, instaurar controversos processos de intenção e responsabilidade, envolvendo-se em discussões necessariamente longas. Há um tempo para tudo, e este não é tempo de recriminações. Até porque a culpa última é de todos nós, que cá vivemos estes anos.”


“enfrentar a crise. Os portugueses, que costumam dormir na bonança, dão o seu melhor nos momentos impossíveis. A recessão não tem uma solução; tem milhões. Dez milhões, para ser exacto. Será cada um, lidando de forma prática com as dificuldades reais que se lhe colocam, que construirá a resposta indispensável para a crise nacional. Trabalhar mais e melhor, poupar mais, investir mais e melhor são as saídas, agora como sempre. Além da criatividade, imaginação, improvisação e desenrascanço em que somos peritos. Se fizermos isto uns tempos veremos que a crise passa muito mais depressa que julgamos.”

“A injustiça nacional dos últimos anos deveu-se precisamente a que, sendo novos ricos, por momentos perdemos de vista os antigos valores. A crise tem de ser um chamamento à famosa hospitalidade lusitana.”


ler mais:


http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1676539&seccao=Anselmo Borges&tag=Opini%E3o - Em Foco

http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1705416&seccao=Jo%E3o C%E9sar das Neves&tag=Opini%E3o - Em Foco

sábado, 25 de setembro de 2010

Os cinco pilares do Islamismo



Como os muçulmanos se encontram espalhados pelo mundo, é natural que a sua pratica religiosa apresente grandes diferenças, consoante a civilização em que se encontram inseridos.
Há, no entanto, um ponto que os une: os cinco pilares do Islão (as cinco obrigações religiosas básicas).

1º Pilar, a profissão de fé (shahada) - a primeira obrigação de um muçulmano consiste em recitar o credo (shahada) «Não existe nenhum Deus senão Alá, e Muhammad é o seu profeta.»
Alem de acreditar num único Deus, o bom muçulmano rejeita tudo o que ponha em causa essa unidade. Comete shirk («idolatria, politeísmo») quem sobrepuser a Deus pessoas, riqueza, interesses.

2º Pilar, as cinco orações rituais (salat) - o muçulmano deve efectuar uma oração ritual cinco vezes ao dia. A oração ritual obedece a um conjunto rigorosamente definido de posições (de pé, curvado, prosternado, sentado) e é um acto de louvor e de adoração – expressão de fé na misericórdia de Deus.
Para cumprirem a oração ritualantes de o sol nascer, ao meio-dia, à tarde, pelo menos uma hora antes do pôr do sol e á noite –, os muçulmanos devem estar num estado de «purificação legal» (graças a uma ablução geral ou parcial), que se estende ao vestuário e ao local onde é proferida, e orientarem-se para Meca.
Uma oração ritual rezada a preceito inclui os país, os parentes, os amigos e os indigentes.

3º Pilar, o jejum
(saum) - o Ramadão é o nono mês do calendário islâmico e dura vinte e nove a trinta dias.
O jejum começa e termina com a chegada da lua nova, quando a «nova luz» se torna visível – regra geral, dois ou três dias após a lua nova. Para muitos muçulmanos, o mês do jejum é símbolo de esperança. O mandamento divino do jejum é sinonimo de uma maior entrega a Deus e de mais solidariedade com os crentes da mesma confissão em todo o mundo. Deve ser rigorosamente observado desde o nascer ao pôr-do-sol. Durante o dia, todos os muçulmanos adultos e de boa saúde, quer mental quer física, se abstêm de ingerir alimentos sólidos ou líquidos, de recorrer a estimulantes (por exemplo, fumar) e de manter relações sexuais.
Dado que o jejum altera a percepção que o homem tem de si, o Ramadão é uma excelente oportunidade de os fiéis se voltarem integralmente para Deus sem se dispersarem. A imagem islâmica do ser humano assenta num todo, composto por corpo, espírito e alma.
O Ramadão é um período de penitência e de reconciliação, em que as horas nocturnas devem ser aproveitadas para restabelecer a paz. A Noite do Destino, habitualmente celebrada no 27º dia do Ramadão, e a festa da Ruptura, que marca o fim do jejum, são duas datas importantes do calendário islâmico.

4º Pilar, a esmola obrigatória (zakat) - o termo zakat refere-se ao tributo obrigatório, semelhante a um imposto, destinado aos pobres, e os muçulmanos interpretam-no como uma acção purificadora da cupidez. A esmola obrigatória simboliza a gratidão a Deus, que dotou todas as criaturas com o suficiente para viverem.
Os muçulmanos abastados têm o dever de partilhar os seus bens com os mais carecidos; estes têm direito a uma parte do património dos primeiros.

5º Pilar, a peregrinação a Meca (hadj) - a peregrinação a Meca (hadj) constitui, para os muçulmanos, o ponto culminante da sua vida religiosa, revestindo, por isso, especial importância para toda a comunidade islâmica. Trata-se de uma obrigação com características especiais, e o muçulmano deve cumpri-la, pelo menos, uma vez na vida.


sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O Xintoísmo


O Xintoísmo não tem um fundador. Trata-se de uma típica religião nacional que, ao longo dos séculos, tem adoptado tradições de diversas outras religiões. Não possui uma ética ou um credo formulado. A essência do Xintoísmo está no cerimonial e ritual que mantém o contacto com o divino.
É frequente dizer-se que o Xintoísmo possui vário milhões de deuses, Kamis, que se manifestam sob a forma de árvore, montanhas, rios, animais e seres humanos. A palavra japonesa Kami pode também ser traduzida por «espírito». O culto dos espíritos da natureza e dos antepassados tem sido fundamental para o Xintoísmo, desde os tempos em que o Japão era uma sociedade agrária. Este culto dos antepassados difundiu-se particularmente sob a influência do Confucionismo chinês.
Segundo a mitologia japonesa, um casal divino, Izanagi e Izanami, teria descido do céu e dado, primeiro, origem às ilhas japonesas, seguidamente ao resto do mundo e a tudo no seu interior e, finalmente, a uns quantos Kamis. O maior destes Kamis era a deusa do sol, Amaterasu. Os outros Kamis ter-se- iam estabelecido na terra e criado os primeiros seres humanos. Mas a sociedade humana necessitava de ordem e de liderança, pelo que o neto de Amaterasu foi mandado para a terra. Um dos seus descendentes viria a tornar-se o primeiro imperador do Japão.

Em consequência, todos os japoneses têm origem divina, mas em especial o imperador, directamente aparentado com a própria deusa do sol, Amaterasu.

Gradualmente, o culto dos Kamis dos imperadores falecidos foi substituído pela veneração dos próprios imperadores, que eram Kamis vivos.


A origem do culto do imperador é parcialmente explicável pelas condições políticas do século XIX. O Japão estava ameaçado pelo expansionismo ocidental e sentiu, por isso, a necessidade de acentuar seu carácter nacional próprio. Ao mesmo tempo, o imperador tinha sido colocado à margem dos chefes militares, os shoguns, que detinham, na realidade, o poder.

Em 1867, um golpe deu ao imperador Meiji o controlo do país, tendo ele então instigado uma renovação política e religiosa. O Xintoísmo transformou-se na religião do Estado, enquanto foram destruídos templos budistas e erradicados os elementos budistas existentes na cultura xintoístas.


Foram colocadas imagens do imperador em todos os edifícios oficiais, escolas e fábricas, e as pessoas tinham que se curvar respeitosamente perante os retratos.

A par do culto imperial verificou-se um forte nacionalismo que constituiu a base do crescente expansionismo japonês até á Segunda Guerra Mundial, na qual o Japão se aliou à Alemanha.
A religião estava intrinsecamente ligada ao nacionalismo, sendo o Xintoísmo, por exemplo, a autoridade ideológica para os pilotos suicidas japoneses (Kamikaze significa «vento divino»).
Cada soldado morto na guerra era imediatamente transformado num Kami, com uma cerimónia em sua honra a ter lugar nos templos xintoístas.


Depois na derrota do Japão, em Agosto de 1945, o imperador emitiu uma declaração renunciando à sua natureza divina. O Xintoísmo foi abolido como religião de Estado, mas o Xintoísmo popular, que sempre tinha coexistido com o culto do imperador, permaneceu, gozando mesmo de um certo renascimento.


O culto é observado tanto em casa como no templo, dos quais existem cerca de 20 mil. Os templos, que anteriormente eram administrados pelo governo imperial, estão agora organizados em diversas uniões com chefes eleitos.


O templo – morada dos Kamis


Um templo xintoísta não é um lugar de oração, mas sim a morada de um kami, ou o local onde ele é venerado segundo determinados rituais.
No santuário interior do templo existe um objecto que simboliza a proximidade do kami, e é este símbolo que torna o templo um local sagrado. Os três símbolos mais importantes consistem num espelho, numa jóia ornamental e numa espada, guardados em três dos maiores templos xintoístas do Japão. O espelho, a jóia e a espada estão associados a um mito respeitante à deusa do sol, Amaterasu, e ao primeiro imperador do Japão.
De acordo com um dos antigos mitos divinos, um dia Amaterasu escondeu-se numa caverna, aborrecida. Mas foi atraída para o exterior por um espelho e persuadida a brilhar de novo.

O sacerdócio


Originalmente, as cerimónias eram desempenhadas pelo chefe de uma família ou de um clã e, a um nível superior na pirâmide social, por um príncipe ou pelo próprio imperador.
Actualmente, as organizações dos templos nomeiam os sacerdotes a tempo inteiro ou parcial. A maioria é casada, e tem igualmente uma ocupação secular. Desde a guerra que também as mulheres são elegíveis para o sacerdócio.
Os deveres do sacerdote são, principalmente, de carácter ritual: ele tem de saber como executar as cerimónias diárias e como conduzir as grandes festas associadas às festividades.

Os quatro aspectos principais do culto


No Xintoísmo as cerimónias são essenciais. Ajudam a prevenir acidentes, auxiliam a cooperação e o contacto com os Kamis e promovem o contentamento e a paz, para o individuo e para a sociedade.
As cerimonias variam desde as mais simples, celebradas em casa, até às grandes festas anuais do templo, existindo, no entanto, quatro elementos que se repetem em todos os tipos de cerimonia. São eles:


Purificação – o objectivo da purificação é banir tudo o que seja mau ou injusto, qualquer coisa que possa pôr em risco o relacionamento do indivíduo com os Kamis. A impureza está essencialmente associada à doença e à morte, embora todas as outras funções carnais a possam igualmente gerar.
Todo o serviço divino começa com a purificação. Pode ser apenas uma questão de enxaguar a boca e despejar um pouco de água sobre as pontas dos dedos. No templo é levada a cabo pelo sacerdote, que sacode uma vara especial em frente dos indivíduos, ou objectos, a serem purificados. A referida vara de purificação tem, presa a si, umas tiras de papel ou fios de linho, que lhe dão o aspecto duma espécie de vassora.


Sacrifício – se não forem feitas oferendas, o indivíduo poderá perder contacto com os Kamis e sofrer um revés. A oferta pode assumir a forma de dinheiro, de comida ou de bebida. As actividades artísticas ou desportivas ligadas às festividades do templo têm também importância religiosa e deveriam ser encaradas como um género de sacrifício. A dança, o teatro, a luta e o tiro ao arco são todos executados em honra dos deuses.


Oração – uma oração começa geralmente com um elogio ao Kami a quem é dirigida, e com uma expressão de gratidão pela beneficência. Depois, as ofertas são especificadas, com a indicação do nome da pessoa que oferece o sacrifício, e então talvez seja feito um pedido sob a forma de oração.


Refeição sagrada – no final da cerimónia tem lugar uma naorai – refeição com os Kamis. Todos os presentes recebem do sacerdote uma pequena medida de vinho de arroz.

O culto doméstico


Em quase todos os lares existe um pequeno altar, ou um altar de parede, denominado por Kamidana. Sobre ele encontra-se objectos simbólicos: um amuleto para o Kami, um espelho pequeno, uma vela e um vaso cheio de gravetos de arvore Sakaki.
O ritual inicia-se enxaguando a boca e lavando as mãos. Depois coloca-se um sacrifício em frente do altar, que poderá ser algo tão mundano como alguns grãos de arroz ou uma tigela de água. O suplicante (sentado ou de pé) em cima de uma esteira, com a cabeça inclinada respeitosamente, faz uma pequena oração. Após a oração a cabeça é inclinada por mais duas vezes, as mãos erguidas são também unidas duas vezes, seguindo-se, como conclusão, mais acenos com a cabeça. Quais quer alimentos que tenham sido oferecidos são mais tarde retirados e comidos à mesa.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O Tauismo


O Tauismo baseia-se no livro designado Tao Te Ching, que significa «O Livro de Tao e Te». As expressões taoordem do mundo») e te força vital») são conceitos chineses antigos.
Confúcio deu-lhe uma interpretação diferente.
O Tao Te Ching é um livro pequeno, que contem entre vinte e vinte cinco páginas, e que está dividido em oitenta e um capítulos. Ninguém sabe ao certo quem o escreveu, mas reza a lenda que terá sido Lao-Tzu, filosofo que viveu no século VI a. C., isto é, aproximadamente contemporâneo de Confúcio. As historias sobre a vida de Lao-Tzu são inúmeras e variadas, mas os historiadores não têm sequer a certeza de que ele tenha, de facto, existido. Posta esta advertência, Lao-Tzu será referido como autor do Tao Te Ching no que a seguir apresento.


Tao – o maior dos princípios

Para Confúcio, tau era a suprema ordem e harmonia do universo que o homem deveria seguir. Lao-Tzu considerava também tau como a harmonia do mundo, e especialmente do mundo da natureza. Mas ele foi ainda mais longe. Tau é, efectivamente, a base a partir da qual todas as coisas brotam e são criadas. Por varias vezes tau é descrito como «Céu», ou seja, algo de divino, embora não seja um deus pessoal.
A diferença mais importante relativamente a outras noções de tau, assenta no facto de Lao-Tzu acreditar não ser possível descrever tau de nenhuma maneira racional e directa. «O tau que pode ser descrito, não é o autêntico», declara. Isto significa que o homem não poderá investigar ou estudar a verdadeira natureza do tau, não poderá utilizar o seu intelecto para o compreender. Deve meditar, mergulhar numa tranquilidade distanciada e abandonar todos os pensamentos de coisas exteriores como o lucro ou a promoção. Só então ele conseguirá a unidade com tau, e será preenchido pela força vital te.

Vida Social

Mais que actividade, o tauismo envolve passividade. A acção mais importantes para um tauista sábio é a «inacção», o que tem, obviamente uma grande influencia sobre a sua visão de vida comunal. Enquanto Confúcio pretendia educar o homem através do conhecimento, Lao-Tzu preferia que ele permanecesse ingénuo e simples como as crianças. Confúcio ansiava por regras e sistema fixo, no âmbito da política, ao passo que Lao-Tzu acreditava que o homem deveria interferir o menos possível no desenrolar natural dos acontecimentos. Confúcio desejava uma administração ordenada , mas para Lao-Tzu todas as administrações são más: «Quantas mais leis e quantos mais preceitos existirem, mais ladrões e bandidos haverá» refere o Tao Te Ching.
O estado ideal para Lao-Tzu era a pequena comunidade (vila, aldeia) que ele acreditava ter existido em tempos ancestrais. As pessoas tinham ai vivido em paz e contentamento, sem interesses em entrar em conflito com os seus vizinhos, como as províncias chinesas fizeram mais tarde. O líder deveria ser um filósofo, e a sua única tarefa deveria consistir em servir de exemplo aos demais na sua passividade e no distanciamento das coisas.
A caridade actuante, no seu sentido comum, é estranha para o tauista, mas este possui uma boa vontade ilimitada para com os outros, independentemente de estes serem bons ou maus.

O Tauismo como religião popular

Alguns dos discípulos de Lao-Tzu desenvolveram um misticismo natural em direcções de maior magia, e foram estes elementos ocultos que mais se popularizaram junto das massas, porquanto se fundiram com a superstição a a bruxaria dos tempos antigos. Lao-Tzu acreditava, por exemplo, que um individuo se mantivesse passivo, preservava a sua força da vida por muito tempo, conservando-a saudável e imaculada. Mais tarde, algumas pessoas interpretaram isto como a possibilidade de aumentar a longevidade, começando a preocupar-se com a questão de se tornarem imortais. Os filósofos tauistas praticavam exercícios mágicos, para alem da meditação, e tentavam descobrir um elixir da vida eterna. A par do tauismo filosófico desenvolveu-se uma religião de cariz popular baseada em Lao-Tzu, mas que tinha também os seus próprios deuses, templos, sacerdotes e monges. Havia rituais complexos, inspirados em parte na prática budista, com procissões, ofertas de comida aos deuses e liturgias pelos vivos e pelos mortos.



O Confucionismo


Até 1911 a China era uma potência imperial sobre a qual o imperador exercia um poder absoluto, sendo encarado como o representante do seu país junto do preeminente deus do Céu. Ao mesmo tempo, ele era também o filho do Céu na terra. O próprio imperador efectuava sacrifícios ao Céu, no Templo do Céu, na capital, Pequim. Oferecia também sacrifícios às montanhas e aos rios sagrados da China.

O Império da China era uma sociedade ordenada, com Líderes permanentes. No topo da administração encontrava-se uma elite de oficiais com um grau de instrução elevado. A ideologia o Confucionismo, que compreendia pensamentos, regras e sistemas sociais desenvolvidos pelo filósofo K’ un Fu-tse (Confucius, em latim), e as suas doutrinas dominaram, na China, até à queda do imperador. Confúcio tinha ainda estabelecido normas para a vida religiosa, sacrifícios e rituais. Era uma religião de estado praticada pela elite e pelas classes governantes, mas que nunca desceu e se infiltrou completamente na extensa camada popular. Tal como o imperador, no seu palácio de Pequim, estava distante das pessoas comuns, assim o Céu era remoto e impessoal para a grande massa de trabalhadores agrícolas e aldeões pobres. A sua religião era a veneração dos espíritos e dos antepassados, embora também isso, de forma gradual, tenha adquirido características de outras religiões.

Confúcio (551-479 a. C.)

Existe alguma incerteza quanto às origens de Confúcio, mas parece provável que fosse originário de uma família aristocrata empobrecida. Recebeu uma boa educação e tornou-se um sábio, atraindo muitos discípulos. Algumas das suas interpretações da filosofia e da tradição antigas, especialmente no tocante a assuntos de ética e de filosofia social, eram inovadoras. Ele acreditava que o Céu o tinha escolhido para revitalizar a cultura e a moralidade estabelecidas pelos imperadores sagrados em tempos ancestrais.

Após a sua morte, os seus discípulos começaram a espalhar e a desenvolver as suas ideias. Em última instancia, o Confucionismo transformou-se numa espécie de religião de estado, na China, atacando com frequência outras religiões como o Budismo e o Tauismo. Erigiram-se templos em honra de Confúcio e ofereciam-se-lhe sacrifícios na Primavera e no Outono, tal como se fazia em relação ao Céu. Apesar disto, deve sublinhar-se que o Confucionismo nunca existiu como religião independente. Trata-se, mais precisamente, de um termo que cobre conceitos filosóficos e políticos que constituíam o suporte do governo e da burocracia imperiais, apesar de a ética do confucionismo ter invadido largos sectores da população chinesa.

Uma das ideias fundamentais de Confúcio era de que a natureza e o universo estão em harmonia, e que tal se deverá também aplicar ao homem. Com essa finalidade, Confúcio adoptou alguns conceitos chineses antigos e moldou-os aos seus próprios objectivos. Tau é a harmonia primordial do universo ou, por outras palavras, o relacionamento bom e equilibrado entre todas as coisas. Essa harmonia constitui um modelo para a sociedade, na qual o indivíduo deverá também tentar viver em compreensão e harmonia, o que conseguirá se o seu eu profundo estiver em consonância com tao, porque encontrará então o incentivo requerido, te, ou curso correcto da actuação.
De forma a atingir a harmonia com tão, o homem necessita de conhecimento e de compressão, o que poderá obter se estudar a tradição, o passado, aprendendo assim as regras de procedimento correcto, a celebração fiel dos rituais e das cerimonias religiosas, e qual o seu próprio lugar na sociedade.
Confúcio via o homem como naturalmente bom, provindo todo o mal da sua falta de conhecimento. A educação implica, por isso, a transmissão do conhecimento correcto.
O lugar do indivíduo na sociedade é regulado por cinco relações: a relação entre senhor e servo, pai e filho, mais velhos e mais novos, homem e mulher e entre amigos. Significa isto que o soberano deveria ser bom e o servo leal. Significa também que o pai deveria amar e o filho respeitar, uma ideia ligada á veneração dos antepassados. E significa ainda que o homem deveria ser justo e a mulher obediente. O ideal para todos os homens, e os conceitos mais importantes para Confúcio, são a piedade, o respeito e a reverência.

Confúcio acreditava que um ser sobrenatural o tinha inspirado: «O Céu concebeu a virtude dentro de mim.» Mas o céu não era, para ele, um deus pessoal. Apesar do facto de esse deus lhe ter concedido inspiração e direcção, ele não encontrava a sua ética nos preceitos morais legados pelo referido deus.
Importante para Confúcio era que os deuses fossem venerados convenientemente, e que os rituais, sacrifícios e cerimónias fossem executados de maneira correcta, já que isto mostrava piedade de cada um. Mas ele não se preocupava com assuntos religiosos ou metafísicos. «Mostra respeito pelos deuses, mas mantém-nos à distância» é uma citação que lhe é atribuída, e, em resposta a questões sobre a vida depois da morte: «Quando nem mesmo a vida se compreende, como se poderia entender-se a morte?»


quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O Budismo


O fundador do Budismo, Siddhartha Gautama (aproximadamente entre 560 e 480 a. C.), que escreveu no Nordeste da Índia, era filho de um rajá (Rei ou Príncipe indiano). Existem varias histórias, mais ou menos lendárias, a respeito da sua vida, mas o aspecto que mais se salienta são os seguintes:

O príncipe Siddhartha cresceu num berço de luxo. O rajá tinha ouvido a profecia que o seu filho ou se tornaria um líder mundial, ou então iria tomar o rumo oposto, renunciando a tal, se lhe fosse permitido testemunhar a necessidade e o sofrimento do mundo. Para impedir que isso sucedesse, o rajá tentou proteger o filho do mundo exterior aos muros do palácio – rodeando-o, simultaneamente, de prazeres e divertimentos. Ainda jovem, Siddhartha desposou uma prima e manteve um harém de bailarinas deslumbrantes.

Aos vinte e nove anos, ele teve uma experiencia de algo que viria a demonstrar ser um ponto de viragem na sua vida. Apesar das ordens de seu pai, Siddhartha aventurou-se para fora do palácio e viu um ancião, um enfermo e um cadáver em decomposição. Depois destas impressões descoroçoantes, porém, ele teve a visão de um asceta com uma expressão radiante e alegre. Chegou à conclusão de que uma vida de riqueza e de diversão era uma existência vazia e sem significado. E interrogou-se: haverá alguma coisa que transcenda a velhice, a doença e a morte? Sentiu-se também invadido por um sentimento de compaixão pela humanidade, e por um apelo para a redimir do sofrimento. Meditando, regressou ao palácio, e nessa mesma noite renunciou à sua vida muito conveniente como príncipe. Sem se despedir, abandonou a mulher e o filho e partiu para uma vida «errante».


As narrativas contam que Siddhartha, após uma vida de abundância, se voltou para o extrem oposto, ou seja, para a prática ascética. Forçou-se a comer cada vez menos, até conseguir, por fim, segundo a lenda, subsistir com um único grão de arroz diário. Esperava vencer, dessa forma, o sofrimento. Mas nem os exercícios ascéticos nem o ioga lhe deram aquilo que buscava. Entrou, assim, na «via do meio», buscando a salvação através da meditação. E, aos trinta e cinco anos, depois de seis anos de vida como asceta, alcançou a iluminação (bodhi) quando meditava, sentado debaixo de uma figueira nas margens de um afluente do Ganges. Tinha-se tornado um buddha, que significa «o iluminado». A conclusão a que Buda tinha chegado era de que todo o sofrimento do mundo era causado pelo desejo e pela ânsia. Apenas suprimindo o desejo se poderá escapar a encarnações futuras.


Durante sete dias e sete noites Buda esteve sentado sob a sua árvore da iluminação. Adquiriu a compreensão de uma realidade que não é transitória, uma realidade absoluta acima do tempo e do espaço. No Budismo, este estado é conhecido por nirvana. Ao vencer o seu desejo ardente pela vida, que o tinha amarrado à existência, Buda deixou de dar azo a qualquer Karma futuro, terminando ai a sua sujeição à lei do renascimento. Tinha obtido a salvação para si próprio, e estava aberto o caminho para que abandonasse o mundo e acedesse ao nirvana final. Mas o deus Brama incitou-o a divulgar os seus ensinamentos. E então, uma vez mais, Buda sentiu compaixão pelos seus semelhantes e por todas as outras coisas vivas. «Olhou para o mundo exterior com um olhar contemplativo de Buda» e decidiu «abrir as portas da eternidade» àqueles que o escutassem. Buda tinha decidido tornar-se o guia da humanidade.

Buda dirigiu-se então para Benares que, mesmo naquela altura, era um centro religioso. Ali falou pela primeira vez em publico, no famoso discurso de Benares, que contém os elementos mais importantes da sua doutrina. As «rodas da instroção» tinham agora sido postas em movimento.
Alguns monges mendicantes seguiram Buda e, durante mais de quarenta anos, ele e os seus discípulos vaguearam pelo Nordeste da Índia.


Logo de inicio, os seguidores de Buda dividiram-se em dois grupos, os leigos e os monges, cada um deles com as suas obrigações específicas.

Quando estava com cerca de oitenta anos, Buda sentiu-se repentinamente doente e despediu-se dos seus discípulos. Antes de morrer, dirigiu-se à multidão pesarosa que o rodeava e disse: «Talvez alguns de vós tenham este pensamento:”As palavras de mestre pertencem ao passado, e deixámos de ter um professor.” Mas não é assim que devereis encara-lo. A instrução (dharma) que vos dei será o vosso mestre quando eu tiver partido»